Um lobo no rebanho

Uma pacata aldeia, localizada a 30 km de Hannover está em estado de choque. Descobriram com estupefação que um dos seus vizinhos – um homem reservado, mas afável – era um assassino há muitos anos procurado pela polícia. Holger G. pertencera à célula terrorista neonazi de Zwickau que, entre 2000 e 2007, assassinara oito emigrantes turcos, um grego e uma agente da polícia, assaltara bancos e preparara ataques bombistas. Holger seguia os hábitos dos cidadãos «normais», passeava o cão e saudava os vizinhos.

Como é que um dos protagonistas de acontecimentos tão recentes pode viver numa aldeia sem levantar suspeitas?

Qualquer que seja a inocência destes pacatos aldeões, ficam de pé várias questões para os alemães resolverem. Uma delas é a responsabilidade que partidos da extrema-direita têm nestes crimes e na proteção aos criminosos procurados pela polícia.

Para nós, ovelhas e cordeiros, fica a advertência de que lobos se podem abrigar escondidos no rebanho, à espera de novas oportunidades para arreganharem os dentes.

3 comentários em “Um lobo no rebanho”

  1. Quando leio esta histórias lembro-me sempre da “Era do vazio” de Gilles Lipovetsky. Só não sei se a condição humana é mesmo uma “era do vazio” e como diz Rilke estamos “irremediavelmente sós”.

    Talvez por isso estas coisa sejam possíveis, mais ainda nos tempos de salve-se quem puder.

  2. Quando leio esta histórias lembro-me sempre da “Era do vazio” de Gilles Lipovetsky. Só não sei se a condição humana é mesmo uma “era do vazio” e como diz Rilke estamos “irremediavelmente sós”.

    Talvez por isso estas coisa sejam possíveis, mais ainda nos tempos de salve-se quem puder.

  3. Duas evidências:
    a) os alemães, sempre os alemães!
    Fosse na China, na Índia ou na Patagónia e a coisa passaria despercebida; mas não, um torcinário teutónico, após as paradas de Nuremberga, nunca terá desculpa.
    b) a estupefacção ante a aparente normalidade. Oh, criaturas de Deus!; fosse o comportamento deste indivíduo “anormal”, não se teria há muito denunciado?! De resto, a sua aversão não era contra a “normalidade” que ele queria preservar e defender: era contra o que, na sua perspectiva, enfermava de anomalia- o “turco”, o “grego”…

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