Liberdade

“Es bleibt uns überall eine Freude. Der echte Schmerz begeistert. Wer auf sein Elend tritt steht höher. Und das ist herrlich, dass wir erst im Leiden recht der Seele freiheit fühlen”. Holderlin, Hyperion

 

Fica-nos por toda a parte sobretudo uma alegria. A dor pura entusiasma. Quem sobe sobre a própria miséria está mais alto. E é magnífico saber que só na dor sentimos bem a liberdade da alma”

 

Já Sartre punha a liberdade acima das contingências. Um homem livre era-o mesmo num campo de concentração.

 

Efeito dominó

Dizia o Sr. Embaixador do Egipto em Portugal que o que se passava no Egipto não tinha qualquer relação com um efeito dominó a partir da Tunísia. Provavelmente, queria dizer que temia o tal efeito dominó. Pois que ainda não o é parece evidente: ainda só caiu um pedra. Enquanto não houver uma sequência de outras a cair, estaremos na expectativa.

Uma especialista com um ar muito douto explicava na SIC Notícias que o caso da Tunísia nada tinha a ver com o que se passara com o leste europeu, após a queda da URSS, com as chamadas “democracias populares” a desfazerem-se como um castelo de cartas. Não haveria aqui, no Norte de África, uma potência dominante, cuja desgraça arrastasse as outras.

Será que o único efeito dominó que ela conhecia era o do dito “socialismo científico”?

A queda das ditaduras da Europa mediterrânica não começou com a queda dum grande estado. Começou num pequeno rectângulo chamado Portugal em 25 de Abril de 1974! A junta militar grega acaba em Julho de 1974  e a Espanha franquista começa a sua transição para a democracia em 20 de Novembro de 1975.

Podemos lembrar outras ondas políticas ou “efeitos dominó”: queda dos países socialistas africanos, nos primeiros anos da década de 90 (não são só as ex-colónias portuguesas que se rendem ao multipartidarismo e à economia de mercado – S. Tomé e Príncipe, 1990, Cabo-Verde, 1991, Angola, 1991, Moçambique, 1994, Guiné-Bissau, 1994 -, mas também, Guiné-Conacri, 1993, R.D. Congo, 1992, depois, a Etiópia, a Somália e a Tanzânia, com outros insucessos, mas a sair do marxismo-leninismo que tinham imposto aos seus povos.

Poderíamos falar de outros dominós.

Se coube a Portugal a honra de iniciar um efeito dominó democrático em 1974, cabe agora à Tunísia, o mais pequeno país do Magreb, a honra de inciar a democracia árabe. A profecia é fácil de fazer: Egipto, queda do regime de Mubarak, queda dos regimes militares da Argélia e da Líbia e monarquia constitucional democrática em Marrocos. Para lá do Suez, não sei como será.

O povo ergue-se e impõe o seu bom-senso, os radicalismos tentarão aproveitar a situação. A norte da pequena bacia mediterrânica, fora o comunismo vencido pela social-democracia. Aqui será também a social-democracia a vencer o fundamentalismo islâmico.

Efeito dominó

Dizia o Sr. Embaixador do Egipto em Portugal que o que se passava no Egipto não tinha qualquer relação com um efeito dominó a partir da Tunísia. Provavelmente, queria dizer que temia o tal efeito dominó. Pois que ainda não o é parece evidente: ainda só caiu um pedra. Enquanto não houver uma sequência de outras a cair, estaremos na expectativa.

Uma especialista com um ar muito douto explicava na SIC Notícias que o caso da Tunísia nada tinha a ver com o que se passara com o leste europeu, após a queda da URSS, com as chamadas “democracias populares” a desfazerem-se como um castelo de cartas. Não haveria aqui, no Norte de África, uma potência dominante, cuja desgraça arrastasse as outras.

Será que o único efeito dominó que ela conhecia era o do dito “socialismo científico”?

A queda das ditaduras da Europa mediterrânica não começou com a queda dum grande estado. Começou num pequeno rectângulo chamado Portugal em 25 de Abril de 1974! A junta militar grega acaba em Julho de 1974  e a Espanha franquista começa a sua transição para a democracia em 20 de Novembro de 1975.

Podemos lembrar outras ondas políticas ou “efeitos dominó”: queda dos países socialistas africanos, nos primeiros anos da década de 90 (não são só as ex-colónias portuguesas que se rendem ao multipartidarismo e à economia de mercado – S. Tomé e Príncipe, 1990, Cabo-Verde, 1991, Angola, 1991, Moçambique, 1994, Guiné-Bissau, 1994 -, mas também, Guiné-Conacri, 1993, R.D. Congo, 1992, depois, a Etiópia, a Somália e a Tanzânia, com outros insucessos, mas a sair do marxismo-leninismo que tinham imposto aos seus povos.

Poderíamos falar de outros dominós.

Se coube a Portugal a honra de iniciar um efeito dominó democrático em 1974, cabe agora à Tunísia, o mais pequeno país do Magreb, a honra de inciar a democracia árabe. A profecia é fácil de fazer: Egipto, queda do regime de Mubarak, queda dos regimes militares da Argélia e da Líbia e monarquia constitucional democrática em Marrocos. Para lá do Suez, não sei como será.

O povo ergue-se e impõe o seu bom-senso, os radicalismos tentarão aproveitar a situação. A norte da pequena bacia mediterrânica, fora o comunismo vencido pela social-democracia. Aqui será também a social-democracia a vencer o fundamentalismo islâmico.