Please, do the right thing

 

pope

 

Por uma vez, faça o que está certo – foi o que uma ex-vítima de um padre pedófilo exigiu ao papa Bento XVI. Ao falar assim, esta senhora não fez mais do que muitos fizeram na história da Igreja – exigir-lhe padrões de ética. Não seria de esperar o contrário?

Se a Igreja e o seu chefe máximo são o refúgio dos crentes na busca de Deus e do bem, contra o cruel mundo secular dos interesses e do pecado, não deveriam saber melhor do que ninguém o que é o Bem e o que é o Mal?

Infelizmente para os crentes, as religiões organizadas são boas a definir padrões de conduta, o que se chama “moral”, mas são pobres no que se refere à ética. Todo o progresso moral da humanidade tem sido feito contra a Igreja, não só contra a Católica, mas contra praticamente todas elas.

Em nome de Deus, a Igreja permitiu e praticou todas as violências de que há memória.

Assim que se instituiu, nos seus primeiros bispados, a Igreja começou a mostrar a sua capacidade de violência. Veja-se logo no princípio do século V, a morte da filósofa platónica Hipatia às mãos duma turba chefiada por um santo padre da Igreja (São Ciril).

A reforma começa precisamente com Lutero a admoestar a Igreja pela prática da venda das indulgências. Nos séculos XV e XVI, a Igreja permitiu a Inquisição com todas as violências possíveis e imaginárias contra judeus, muçulmanos e outros acusados de práticas que, hoje, fazem parte dos direitos comuns dos cidadãos.

Se há homens da Igreja que se afirmaram pela defesa dos direitos do homem e dos povos, foi por sua conta e risco que o fizeram e não no seio da organização, como foi o caso de Bartolomeu de Las Casas no seu comovente testemunho acusatório do genocídio de mais de vinte milhões de índios pelos seus compatriotas.

A liberdade de culto e de consciência assim como a correspondente tolerância foram conquistas contra a Igreja.

Na luta contra a escravatura, não vimos a Igreja ao lado dos abolicionistas dos séculos XVIII e XIX.

Os direitos do homem afirmaram-se sempre contra os que na terra dizem ter uma relação especial com Deus.

É por isso que vejo agora com prazer, Dawkins, um paladino do humanismo ateu a tentar a prisão de Bento XVI em solo inglês sob a acusação de ter protegido padres pedófilos e de ter permitido a continuação dos seus crimes. Dawkins qualifica-o como

“a man whose first instinct when his priests are caught with their pants down is to cover up the scandal and damn the young victims to silence” (http://www.huffingtonpost.com/2010/04/12/richard-dawkins-arrest-th_n_533837.html).

Para nós, homens do século, trata-se apenas de julgar um crime de acordo com a lei e não de invocar a condenação divina. Quanto aos pedófilos, que sejam afastados de crianças, presos ou tratados, se for o caso, e não que sejam queimados como a Igreja fez a milhares que não o mereciam.

O facto é que a Igreja é apenas humana como todos nós e Deus não está lá mais do que em qualquer outro lado.

Please, do the right thing

 

pope

 

Por uma vez, faça o que está certo – foi o que uma ex-vítima de um padre pedófilo exigiu ao papa Bento XVI. Ao falar assim, esta senhora não fez mais do que muitos fizeram na história da Igreja – exigir-lhe padrões de ética. Não seria de esperar o contrário?

Se a Igreja e o seu chefe máximo são o refúgio dos crentes na busca de Deus e do bem, contra o cruel mundo secular dos interesses e do pecado, não deveriam saber melhor do que ninguém o que é o Bem e o que é o Mal?

Infelizmente para os crentes, as religiões organizadas são boas a definir padrões de conduta, o que se chama “moral”, mas são pobres no que se refere à ética. Todo o progresso moral da humanidade tem sido feito contra a Igreja, não só contra a Católica, mas contra praticamente todas elas.

Em nome de Deus, a Igreja permitiu e praticou todas as violências de que há memória.

Assim que se instituiu, nos seus primeiros bispados, a Igreja começou a mostrar a sua capacidade de violência. Veja-se logo no princípio do século V, a morte da filósofa platónica Hipatia às mãos duma turba chefiada por um santo padre da Igreja (São Ciril).

A reforma começa precisamente com Lutero a admoestar a Igreja pela prática da venda das indulgências. Nos séculos XV e XVI, a Igreja permitiu a Inquisição com todas as violências possíveis e imaginárias contra judeus, muçulmanos e outros acusados de práticas que, hoje, fazem parte dos direitos comuns dos cidadãos.

Se há homens da Igreja que se afirmaram pela defesa dos direitos do homem e dos povos, foi por sua conta e risco que o fizeram e não no seio da organização, como foi o caso de Bartolomeu de Las Casas no seu comovente testemunho acusatório do genocídio de mais de vinte milhões de índios pelos seus compatriotas.

A liberdade de culto e de consciência assim como a correspondente tolerância foram conquistas contra a Igreja.

Na luta contra a escravatura, não vimos a Igreja ao lado dos abolicionistas dos séculos XVIII e XIX.

Os direitos do homem afirmaram-se sempre contra os que na terra dizem ter uma relação especial com Deus.

É por isso que vejo agora com prazer, Dawkins, um paladino do humanismo ateu a tentar a prisão de Bento XVI em solo inglês sob a acusação de ter protegido padres pedófilos e de ter permitido a continuação dos seus crimes. Dawkins qualifica-o como

“a man whose first instinct when his priests are caught with their pants down is to cover up the scandal and damn the young victims to silence” (http://www.huffingtonpost.com/2010/04/12/richard-dawkins-arrest-th_n_533837.html).

Para nós, homens do século, trata-se apenas de julgar um crime de acordo com a lei e não de invocar a condenação divina. Quanto aos pedófilos, que sejam afastados de crianças, presos ou tratados, se for o caso, e não que sejam queimados como a Igreja fez a milhares que não o mereciam.

O facto é que a Igreja é apenas humana como todos nós e Deus não está lá mais do que em qualquer outro lado.

Livre arbítrio

O "livre arbítrio" é, certamente, a mais importante das qualidades que nos fazem humanos à imagem de Deus (Génesis 1:27).

Deus tinha colocado no Jardim muitas árvores de fruto entre as quais se encontrava, mesmo no meio, "a árvore da vida" e, por perto, "a árvore da ciência do bem e do mal" (Génesis 2:9). De todas, o homem se poderia alimentar, excepto desta última: "No dia em que dela comeres, certamente morrerás (Génesis 2:9)".

Não se percebe bem se a proibição aconteceu antes ou depois do aparecimento da mulher, pois o texto relata num versículo a criação do homem, logo a seguir à dos outros animais, para depois mais à frente, contar-nos o episódio da costela de Adão. Nesse primeiro versículo, aparece já a referência a macho e fémea: "E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; macho e fémea os criou".

Após a proibição, Deus olha para o homem e vê-o só, com falta de uma companheira. Faz desfilar todos os animais do jardim para ver se ele encontra alguma que lhe sirva e, perante o fracasso, decide-se pela célebre cirurgia e empreendimento genético de onde nasceu Eva – uma escolha pela negativa de Adão.

Este episódio pode ser entendido como uma analepse para explicar em pormenor como tinha sucedido o facto já referido, mas nada o indica a não ser um subtítulo colocado a posteriori entre os versículos 17 e 18 do capítulo 2.

Seja como for, quando Eva é interpelada pela serpente, já estava ao corrente da proibição. Quando ela a informa, a serpente desmente Deus: "Certamente, não morrereis. Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal" (Génesis 3:4,5).

O que a serpente dizia não era inteiramente falso. Adão sabia que aquela árvore era a da ciência do bem e do mal. Portanto, se Deus o tinha criado à sua imagem, porque lhe estava vedado o conhecimento do bem e do mal? Não há muitas soluções para este paradoxo. Se o livre arbítrio fazia parte da criação original, como se pode exercê-lo com ignorância? Por outro lado, como poderia Adão saber quão errado era desobedecer se desconhecia o bem e o mal?

Quando Eva veio, toda delico-doce, com o fruto na mão, Adão, talvez se tenha decidido a esbanjar a vida eterna, não só por ela, mas também pelo livre arbítrio,. Talvez também lhe tenha ocorrido o peso da responsabilidade de ser uma personagem principal e tenha comido do fruto para tornar possível um história que ficaria por contar.

Os castigos deste lamentável incidente são conhecidos. No fim, Deus concluiu justamente que só depois da QUEDA, o homem ficou verdadeiramente à sua imagem: "Eis que o homem é como um de Nós, sabendo o bem e o mal" (Génesis 3:22).

Para evitar que o homem atinja a igualdade perfeita comendo o fruto da árvore da vida, Deus expulsa-o do Jardim.