Índios encurralados em Roraima

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A criação oficial da reserva Raposa Serra do Sol, hoje assunto do New York Times, é uma reivindicação dos Índios de Roraima e uma promessa eleitoral do Presidente Lula da Silva. Na região, que se situa no norte do Brasil junto da fronteira com a Guiana e a Venezuela, há velhos índios que ainda se recordam de na sua infância não verem nenhum branco por perto.

Agora as suas terras estão a ser invadidas por brasileiros que aparecem com títulos de propriedade ou direitos de ocupação. Os militares instalam uma base, nascem armazéns, constrói-se uma pista de aviação, plantadores de arroz desviam águas de cursos de água essenciais para os índios, aparece uma escola técnica e fundam-se os princípios de uma cidade. Raposa Serra do Sol começa a ficar dividida, retalhada por todos os lados.

Acontece que o governador do estado de Roraima, um grande opositor do registo oficial da reserva, aderiu ao Partido dos Trabalhadores. Os índios sentem que em Brasília o seu problema não avança. Terá Lula traído mais esta promessa feita aos povos indígenas?

Aprisionados pela sociedade industrial, sem meios para impor os seus interesses, ameaçados por agricultores ricos, madeireiros, mineiros e por milhões de outros pobres, produto da emigração e do subdesenvolvimento económico e social, os índios encontram-se à margem, mas essa margem é a margem da nossa esperança de salvação do ecossistema mundial e, em última análise, da própria humanidade.

Se por um lado repudio a defesa do estado actual do índio, como parece razoável para muitos rousseaunianos, nostálgicos dos tempos de ouro da etnologia, por outro, reivindico a proprieade de extensos territórios tropicais para as populações que ainda lá vivem com modos de vida pré-industriais e o direito de evoluírem na direcção da modernidade de acordo com as suas possibilidades e interesses.

Neste caso, estou com os índios de Roraima.

(Imagem retirada de www.markos.it/ umanita/21.htm).

3 comentários em “Índios encurralados em Roraima”

  1. Oi Luiz…

    Sempre que leio essas notícias sobre temas nacionais, com europeus expressando suas opiniões, fico um tanto irritada.
    Primeiro creio que os assuntos nacionais, dizem respeito a nós brasileiros.
    Quando os assuntos brasileiros diziam respeito aos Portugueses, foi na época da colonização, e o que os Portugueses fizeram, foi invadir, matar os índios, e levar o ouro para a construção de lindos monumentos em Portugal.
    Nenhum europeu sabe ou imagina o que é viver neste pais.
    Sei que existe uma ganância enorme, por parte de muitas pessoas, aqui no Brasil, mas eu gostaria de ver os europeus em vez de ficar fazendo falsa demagogia, já que querem defender os direitos tupiniquins, lutar por algo real.
    Que tal lutar contra os bancos europeus e americanos, que já receberam, e muiiiiiiiito bem, toda a dívida brasileira, mas que quando vamos ver na prática, ela é cada vez maior, mesmo sendo paga todos os anos, conforme o estipulado pelos banqueiros.
    Se vc fosse norte americano, eu falaria muito mais.
    Como vc é europeu, fico por aqui.

    Aliás, hj vc me pegou exatamente em um dia, em que estou demasiado irritada, com o que vcs que vivem em paises ricos, submetem os pobres.
    O problema é muito mais complexo do que vc possa imaginar.
    Um abraço

    Rosa Bernacchio

  2. Olá,

    Rosa. Estou contente por ter lido o meu artigo. Tenho uma opinião diferente da sua. Para mim, um problema dos índios, ou dos camponeses sem terra, é um problema meu, como seu. Aceito que tenha a mesma posição em relação a assuntos europeus. isto é, se me vier dizer a sua opinião sobre qualquer assunto português, eu ou tenho uma opinião parecida com a sua ou oposta, mas não lhe vou dizer que o assunto não lhe diz respeito.
    A questão é: de que lado está, a favor da criação oficial da reserva Raposa Serra do Sol ou contra?
    Repare que isto foi assunto do New York Timer que é tudo menos um jornal local, ou nacional. É mais que americano, é internacional.
    Actualmente se existisse colonialismo seria ao contrário: o Brasil é uma grande potência industrial, Portugal um pequeno país.
    O que os portugueses fizeram foi o que os seus antepassados (ou dos seus compatriotas, uma vez que tem alguma origem italiana, não?) fizeram. Talvez meus também, mas é menos provável, pois os meus são campónios que nunca saíram da terrinha.

  3. Olá,

    Rosa. Estou contente por ter lido o meu artigo. Tenho uma opinião diferente da sua. Para mim, um problema dos índios, ou dos camponeses sem terra, é um problema meu, como seu. Aceito que tenha a mesma posição em relação a assuntos europeus. isto é, se me vier dizer a sua opinião sobre qualquer assunto português, eu ou tenho uma opinião parecida com a sua ou oposta, mas não lhe vou dizer que o assunto não lhe diz respeito.
    A questão é: de que lado está, a favor da criação oficial da reserva Raposa Serra do Sol ou contra?
    Repare que isto foi assunto do New York Timer que é tudo menos um jornal local, ou nacional. É mais que americano, é internacional.
    Actualmente se existisse colonialismo seria ao contrário: o Brasil é uma grande potência industrial, Portugal um pequeno país.
    O que os portugueses fizeram foi o que os seus antepassados (ou dos seus compatriotas, uma vez que tem alguma origem italiana, não?) fizeram. Talvez meus também, mas é menos provável, pois os meus são campónios que nunca saíram da terrinha.

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