A revolução russa vista por Fernando Rosas

No título do Expresso1, anuncia-se o entrevistado como historiador, mas, ao ler o texto, encontramos um militante trotskista a defender a famigerada tese da degenerescência burocrática da revolução. Enfim, uma tese messiânica que se preocupa em defender a imagem do seu salvador – Lenine – e, implicitamente, a do seu lugar tenente – Trotsky. O mal são os outros – todos os outros – as potências ocidentais, os brancos, Estaline.

A revolução teria falhado por não se ter internacionalizado comprovando a impossibilidade da revolução socialista vingar num só país. Portanto, há um facto que devia ter acontecido de uma determinada maneira, uma maneira pura e ideal pressuposta, mas não aconteceu, primeiro. por causa desta opção stalinista de fazer o socialismo só no império russo, depois, por tudo o resto, mas nunca pelo erro original deste projeto.

O entrevistador dá-lhe a dica do autoritarismo. Como bom militante marxista, Fernando Rosas põe o pensamento original de Marx fora da equação e ignora toda a violência bolchevique dirigida por Lenine contra os outros partidos, incluindo os partidários de várias outras correntes ideológicas do movimento operário como anarquistas, socialistas-revolucionários e mencheviques. Ignora o fim da liberdade de associação política e de expressão fora do partido com Lenine, para referir apenas o fim da liberdade de expressão dentro do partido com Estaline.

Que desta revolução tenha ficado uma mensagem de esperança é inegável, pois a tragédia repetiu-se em vários outros lugares.

1 “A revolução degenerou, mas ficou uma mensagem de esperança“, Expresso, 4 de Novembro de 2017

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