A tradição gramatical

Muito engraçado! Há sempre alguém que nos dá mais uma dica. Motivado pelo debate da TLEBS, tinha na ideia, ir ver a velha gramática (1540) que o João de Barros fez para o seu príncipe e a, também pioneira, do Fernão de Oliveira. Ainda não tive tempo para isso.
Mas, agora, ao espreitar o valiosíssimo Ciberdúvidas, dei com uma citação do João de Barros, feita pela Filomena Viegas, a propósito da substituição do termo "substantivo" por "nome" que já vimos ser motivo de crítica pela Alzira Seixo, em defesa da tradição:
“todalas linguágens tem dous reis diferentes em género e concórdes em ofiçio: a um chamam Nome e ao outro Verbo"
Interessante! Não consta que João de Barros tivesse sido defensor da gramática generativa.
(http://ciberduvidas.sapo.pt/php/portugues.php?id=130)

5 comentários em “A tradição gramatical”

  1. Muito interessante. Sobre as gramáticas, podes ler uma alusão semelhante em… Proust.

  2. João de Barros vem mencionado num livrinho ( Ana maria Barros de Brito, Os Estudos de Sintaxe Generativa em Portugal nos Últimos Trinta Anos, Braga, APT , 1999). Pois, aparentemente ele foi o primeiro a escrever uma gram á tica da língua portuguesa, dedicada à ortografia e à construção, ou seja, à sintaxe. Mas quem tem maior importância, na perspectiva da gram á tica generativa, é Jerónimo Soares Barbosa: ” …Barbosa propõe que a sintaxe linguística deve abranger duas dimensões fundamentais que regulam a combinação de palavras: os mecanismos da concordância e os requisitos de regência ou de selecção que certas palavras impõem umas às outras.”

    1. Obrigado,
      Não deixarei de ver essa referência bibliográfica. Barbosa é com certeza posterior a João de Barros e Fernão de Oliveira.

  3. Têm todos muito que estudar: “nome” é a classificação da primeira gramática (grega) do mundo ocidental; “substantivo” é a proposta dos gramáticos latinos da Antiguidade. Não seria melhor começarem a estudar cultura clássica antes destas leviandades linguísticas?

    1. Obrigado,
      Estamos aqui para aprender uns com os outros.
      Temos que fazer as duas coisas, pois nenhuma é leviana.
      Tem com certeza razão. Mas, repare, eu não digo o contrário. Consultei bibliografia vária. Cito aqui, da minha secretária, a Leonor Buescu, num livrinho sobre os “gramáticos portugueses do século XVI”. O que eu queria dizer é que a classe “nome” já existe referida tanto a substantivos como adjectivos e que o termo “substantivo” se baseia numa oposição aristotélica entre as substâncias e as qualidades. Mais à frente, dei-me conta da imprecisão e, noutro “post”, esclareço isso.
      Aliás, a designação “nome”, está também, no mesmo sentido, consagrada na Nomenclatura de 1967.

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