Bilinguismo e ortografia

Em O Português na hora di bai?, Nuno Pacheco dá-se conta, aparentemente surpreendido, da dualidade linguística fundamental das crianças africanas, como o serão também, as timorenses, divididas entre a língua materna e a da escola. Os países africanos são multilingues e os seus cidadãos, bilingues.

Que as crianças caboverdianas tenham de aprender o português como uma segunda língua e não como se fosse a primeira é um avanço que vai permitir a expansão do Português. Até onde vai esta lusofonia é uma incógnita, mas tome-se nota de que em Angola o português já está a matar as línguas africanas e a dualidade linguística a desaparecer.

O que interessa a respeito do acordo ortográfico é se há ou não uma ortografia comum aos dois países que têm o português como língua materna e como língua oficial (os tais milhões) extensível aos outros que têm a vontade política de manter o português como língua oficial e de cultura.

Se Portugal fizer marcha atrás no acordo, não sei que consequência terá isso para o Brasil onde milhões de crianças já foram alfabetizadas com as alterações acordadas. Não estou a dramatizar. Estou apenas a dizer que não sei. O que fica é uma irresponsabilidade e uma falta de solidariedade institucional e política que envolve na sua ação milhões de pessoas. As variações ortográficas em tão pouco tempo exibirão sobretudo essa flutuação da mediocridade governativa, já que, em si mesmas, importam muito pouco, pois não foi possível unificar ortografias que têm muito pouco de diverso.

6 comentários em “Bilinguismo e ortografia”

  1. “As variações ortográficas em tão pouco tempo exibirão sobretudo essa flutuação da mediocridade governativa”. Qual flutuação, Luís!; a “mediocridade governativa” seria apenas uma continuidade da que se revelou por ocasião da abusiva imposição (!) do monstro AO90.

    1. “Abusiva imposição do monstro AO90” – não sei o que isto quer dizer. Nunca entrei nesta polémica ao nível do panfleto. Apenas me interessam argumentos sobre a substância das coisas em discussão.

      1. Sabes muito bem, Luís. Mas deixa-me fazer chover no molhado: a legalidade da vigência do “AO90” é muito problemática; os motivos sérios e bondosos do mesmo (…admitindo que os havia) foram frustrados, provocando, aliás, efeitos perversos. Não percebo o que, de boa fé, possas ver de panfletário nestas constatações. Abraço.

  2. “As variações ortográficas em tão pouco tempo exibirão sobretudo essa flutuação da mediocridade governativa”. Qual flutuação, Luís!; a “mediocridade governativa” seria apenas uma continuidade da que se revelou por ocasião da abusiva imposição (!) do monstro AO90.

    1. “Abusiva imposição do monstro AO90” – não sei o que isto quer dizer. Nunca entrei nesta polémica ao nível do panfleto. Apenas me interessam argumentos sobre a substância das coisas em discussão.

      1. Sabes muito bem, Luís. Mas deixa-me fazer chover no molhado: a legalidade da vigência do “AO90” é muito problemática; os motivos sérios e bondosos do mesmo (…admitindo que os havia) foram frustrados, provocando, aliás, efeitos perversos. Não percebo o que, de boa fé, possas ver de panfletário nestas constatações. Abraço.

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