De novo: as notas

De novo, o mesmo de sempre: votações de notas em conselhos de turma, não por se julgarem injustas, imprecisas ou mal elaboradas, mas apenas para permitir que alguns alunos "transitem de ano", salvaguardando a regra do número de positivas determinado, para evitar a repetição da repetição de ano ou para permitir a um certo aluno seguir uma certa via (CEF, por exemplo).

Nua e cruamente: para evitar os males acima referidos, o nosso sistema obriga a mentir descaradamente, a modificar notas atribuídas. Alunos que nada sabem de História têm classificação positiva para não continuarem a pastar no mesmo ano lectivo.

Os professores transformam-se em sociólogos e assistentes sociais atribuindo coeficientes de exclusão social às notas, suas ou dos colegas. "3" a Matemática pode siginificar apenas: "criança com média de 25% nos testes, mas com graves dificuldades em casa". Há outros coeficientes em jogo, nesta roda viva de conotações. Há também o aluno "que não aprende o suficiente porque não consegue mais" e que, por isso, recebe "3", que acaba por ser o nível mais inflacionado.

O problema é o seguinte: o que significam estes números, níveis ou lá o que são?

E eu? Entro no jogo? Claro! Então não estou a ver que se o rapaz ficar mais um ano no 6º ano, desespera e não faz mesmo nada?!

Remeto para um artigo anterior: As Notas.

Um comentário em “De novo: as notas”

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