Esta é a questão que está em cima da mesa no debate entre a CDU e o SPD, a propósito da ilegalização do NPD, o partido que está relacionado com os neonazis implicados na violência racista dos primeiros anos do milénio.
A situação é similar a alguém que quer entrar num jogo com a intenção de acabar com ele. Foi exactamente isso que aconteceu em 1933. O partido de Hitler ganhou as eleições, mas numca teve maioria parlamentar para mudar o regime. Foi um governo minoritário que pôs fim ao jogo democrático e às liberdades e direitos civicos.
O mesmo aconteceu em outros tempos e lugares com outros protagonistas que de “democrático” têm muito pouco. Lembremo-nos dos bolcheviques que eram de facto minoritários nos sovietes operários e ainda mais minoritários no panorama político global (na representação na Duma, parlamento russo). Foi o partido armado que tomou o poder, primeiro dentro do soviete de Petrogrado, contra a maioria de representantes que tinham outras filiações – mencheviques, socialistas-revolucionários e anarquistas. O que é certo é que a chamada revolução de 1917 foi um golpe dum partido minoritário dentro do próprio movimento operário.
De facto, a ideia do partido armado teve a sua grande aparição com os bolcheviques e foi copiada, depois pelos fascistas italianos e pelos, nazis alemães. A consulta popular pelo voto é desprezada como coisa “formal”, “burguesa”, tanto por comunistas como por nazis. O líder impõe-se primeiro aos seus seguidores e, depois, ao povo essencialmente através do medo, da coerção e do policiamento das ideias que foi o que aconteceu em todos esses regimes.

Vodafone 360?
Foi um post por email do telemóvel que segue através do vodafone 360. Esqueci-me de apagar esta frase que aparece por defeito na mensagem.
Percebi que foi qualquer coisa dessas. Divertido. Abraço.
Um texto que é uma luva feita à medida dos aventureiros portugueses de 5 de Outubro de 1910?
Si non é vero, …
Luís,
A extrapolação, ainda por cima descontextualizada, leva-nos, frequentemente, a cometer erros de análise e injustiças na apreciação do papel dos atores sociais e dos programas políticos que preconizam.
Os portugueses continuam a pagar, demasiado caro, a eficácia da propaganda anti-PCP que foi tão eficientemente montada e aplicada por Mário Soares e seus amigos americanos, que hoje continua a ter efeitos no prolongamento do impasse para a saída da crise.
Em nome da defesa de uma liberdade genérica e mal definida, o PS abstém-se de combater o empobrecimento das populações e a exploração do país às mãos do capital nacional e internacional.
A contextualização da ascensão do bolchevismo, do nazismo e do fascismo é o período da 1ª grande guerra e das suas consequências.
Nos três países em crise formaram-se partidos armados que destruíram aquelas frágeis democracias. Os bolcheviques nunca conseguiram qualquer maioria nem no soviete de Petrogrado, nem na Duma. Tudo aconteceu muito rápido naqueles dias de Outubro de 1917. Não tens o líder mais destacado da classe operária a tomar o poder, mas apenas o chefe dum partido poderoso, armado com a sua guarda vermelha que desde Junho de 1917 dominava nas ruas de São Petersburgo.
O mesmo aconteceu com os outros dois.
Partidos armados, partidos que não tinham qualquer hipótese numa eleição formal, “burguesa”. Partidos que, uma vez no poder, semearam os seus países de campos de concentração e de centros de detenção, que acabaram com a liberdade de expressão dita “burguesa” e que cilindraram todos os seus opositores políticos fossem da classe operária, do campesinato ou da burguesia.
Estas são as semelhanças e os contextos que me interessam. Há diferenças, claro.
E o que é que isso tem a ver com a ação do PCP em Portugal, antes e depois do 25 de Abril?
Em que momento da sua história identificas o PCP como “um partido armado”?
Em que momento da história portuguesa identificas o PCP como tendo “tomado o poder”?
Onde nos levou (trouxe) a “europa connosco” de Mário Soares? E a adesão à CEE e mais tarde ao Euro?
Que benefícios trouxe ao povo que vive da força do seu trabalho?
Parece-me que sobre estas questões tens muito para refletir.
Reparo que não falei do PCP no meu post.
E eu Luís, reparo que não mencionei a Fonte Luminosa, o verão quente de 75 e o “inventona” que o grupo dos nove preparou no 25 de Novembro.
Salut