Quando os ideais confrontam a realidade

Para que servem os militantes comunistas que acreditam piamente nos ideais marxistas-leninistas quando o Partido toma o poder? Este dissidente da pátria do socialismo explica: só são úteis durante o período da luta revolucionária. Após a tomada do poder, devem ser encostados a uma parede e fuzilados para não atrapalharem.

 

 

 

21 comentários em “Quando os ideais confrontam a realidade”

  1. Falta de inteligência, já se vê: deveriam ser encostados à parede antes de fazerem o que quer que fosse.

  2. Falta de inteligência, já se vê: deveriam ser encostados à parede antes de fazerem o que quer que fosse.

    1. Há mil e uma histórias que confirmam o que este dissidente diz.
      As revoluções têm mais mortos feitos pelos camaradas do que pelos “reacionários”.
      Refiro algumas vítimas célebres que infelizmente também confraternizaram com os algozes: Preobrajenski, Buhkarin, Trotski, Zinoviev, etc.
      Lembra-te de Angola em 1977, com o caso de Nito Alves e Sita Valles (dizem que foram 28 000 mortos). Pouco importa quem a URSS apoiava, os métodos tanto os dos revoltosos como os do Poder equivalem-se.
      Evidentemente, Nito Alves foi um idiota útil até tornar-se perigoso. Milhares doutros marxistas idiotas foram a seguir eliminados como prevenção.
      Mas episódios como este sucederam em todos os lados onde houve revoluções que se dizem marxistas.

      1. Tens razão Luís,
        a revolução de Pinochet, no Chile e a dos generais argentinos ou a dos uruguaios, como antes destas a dos generais brasileiros e sobretudo a de Shuarto, todas elas apoiadas e financiadas pela CIA, fizeram uns milhões de mortos.
        Se a estas juntares as revoluções mais a oriente, como a do Xá do Irão, ou a recentíssima revolução no Iraque, então terás uma bela colecção não de vítimas célebres, mas de célebres mentores dessa revolução global capitalista. À cabeça encontrarás até um prémio nobel da economia e paladino da liberdade, que dava pelo nome de Milton Freedman.
        Abraço

        1. Enfim, são tudo coisas más, a revolução russa, a ditadura do Chile e as outras, o salazarismo, a revolução chinesa, etc.
          Umas mais sangrentas do que as outras, claro. Agora, é uma questão de contabilidade. Por exemplo, ver o número de pessoas encarceradas relativamente à população total; número de pessoas que fogem do país; acções dos governos para impedir a debandada (por exemplo, muro de Berlim); número de pessoas mortas.

          1. Luís,
            só fogem do país os que estão vivos, que os mortos estão em valas comuns ou foram atirados de helicópteros e aviões, ou então foram explodidos pelas armas sofisticadas fabricadas pelas corporações do complexo militar capitalista que governa o mundo e decide o que os obamas do nosso (des)contentamento assinam.

          2. Ó Francisco, desculpa lá, não sei o que queres dizer com isso de “complexo militar capitalista”. É a Ogma? a fábrica de Braço de Prata? A indústria militar soviética era o quê? Complexo militar socialista? Nem sei como é que o dito complexo fala com o Obama.
            Não há mais valas comuns em lado nenhum do que na Alemanha nazi, na URSS, no Cambodja de Pol Pot, talvez na China. Certamente, também nos casos que referes.
            Exageras o poder da CIA, mas isso não me preocupa nada porque não sou advogado dela.

    2. Não sei se percebeste que, de acordo com o que este dissidente diz, as criancinhas em causa, as que tu referes, serão as comunistas.
      Isto é, as que não pertencem ao “partidão” – como os brasileiros da esquerda revolucionário designavam o partido de Luís Carlos Prestes – são para abater quando “a esquerda” toma o poder.
      Os não comunistas serão vítimas, antes, de acordo com o mesmo princípio preventivo. Staline, quando tomou a Polónia (1939) ordenou uma lista de 5 mil pessoas para abate imediato. A estas, seguiram-se outras num total de cerca de 25000. Incluíam-se militares, escritores, políticos, artistas, etc. De crianças, não sei. Evidentemente, esta gente só iria atrapalhar a “democracia popular”.

      1. Luis,
        Percebi bem o que diz o dissidente, tal como percebo bem o interesse na reprodução desse discurso.

        Não me interessa discutir a veracidade factual das afirmações, mas apenas identificar o que está para lá do discurso produzido sobre as malfeitorias dos regimes liderados por partidos comunistas.
        O que te digo é que as acusações que o dissidente faz, e que tu aqui reproduzes, não eliminam nem podem branquear os crimes de igual dimensão e natureza que vêm sendo cometidos pelos arautos da “liberdade” neoliberal.

        Quando os “democratas” da globalização acusam o regime cubano de reprimir os seus inimigos deviam ser capazes de fazer a comparação com a repressão exercida pelos regimes ditatoriais sul-americanos apoiados pela administração norte-americana, seja através do trabalho sujo realizado pela CIA para colocar esses regimes no poder, seja através de universidades como a de Chicago ou a da Florida para lhes fornecerem os instrumentos ideológicos de governação e repressão, seja através das corporações industriais e financeiras que financiaram todos esses processos.
        Trata-se de matéria que já é do domínio público, mas que convenientemente é omitida na comunicação social e nunca aparece em blogues anticomunistas.

        Quanto ao que designo por complexo militar capitalista, refiro-me às empresas que se dedicam à fabricação e venda de armamento, bem como à intermediação e financiamento dessas operações de venda, sejam elas empresas privadas ou públicas, sediadas quer nos Estados Unidos, quer na Inglaterra, na França, na Alemanha ou em qualquer outro dos países centrais do processo de globalização capitalista.
        É que se ainda não te deste conta, para esse complexo militar o nine-eleven constituiu o argumento final para que o sector privado se apropriasse, finalmente, de um dos últimos bastiões dos estados nacionais – a segurança e defesa nacional. É por isso que hoje já se naturalizou o conceito de exército privado para substituir os exércitos regulares de cada nação, como é o caso do que se passa nas guerras do Iraque e do Afeganistão, onde as forças da Nato já estão em número muito inferior ao dos exércitos mercenários da Blackwater e outras companhias privadas de guerra.

        1. Os jovens economistas chilenos formados pela chamada escola de Chicago onde dominava o liberalismo de Friedmann são isso, apenas isso, economistas liberais. O seu único pecado é não fazerem parte do PS nem do PC chilenos ou do MIR, a Unidade Popular, o verdadeiro saco de gatos que era a coligação de Salvador Allende.
          Eu não sou liberal, mas vê por favor as estatísticas do crescimento económico do Chile durante o período da ditadura. Foi uma política económica muito bem-sucedida! 
          O Chile da Unidade Popular estava em grave crise económica desde 1971, com indicadores vergonhosamente descendentes em muitos aspectos essenciais.

          1. Luis,
            estás completamente enganado sobre os “pecados” dos Chicago Boys e do seu mentor Milton Freedman.
            Eles forneceram a panóplia de instrumentos ideológicos que determinaram o genocídio de todos quantos se pudessem opor aos desígnios do mercado livre.
            E as políticas de choque e pavor económico que preconizam, ainda hoje em dia, são responsáveis pela pobreza, pela miséria e por muita da fome, doença e morte que assola as populações mais pobres do planeta.
            Ao contrário da história que te contaram, e que reproduzes de forma pouco crítica, não é o comunismo que põe em perigo a vida e a liberdade das pessoas. São as políticas de rapina, exigidas pelas corporações multinacionais aos governos nacionais, que agravam a miséria em que vive grande parte da população mundial.
            Sobre as políticas do nosso arco governativo convido-te a ler o post que acabei de publicar: http://fjsantos.wordpress.com/2011/05/29/eleicoes-mou-e-politica-voodoo/ (http://fjsantos.wordpress.com/2011/05/29/eleicoes-mou-e-politica-voodoo/)
            Mas também te recomendo a leitura atenta da Doutrina do Choque, da autoria de Naomi Klein, onde podes encontrar vasta documentação acusatória dos crimes contra a humanidade cometidos em nome da liberdade de Milton Freedman e sus muchachos.
            Abraço.

          2. Julgo que queres dizer Milton Friedman.
            Li há muitos anos, com gosto, Liberdade para Escolher de Friedman, mas não fiquei convencido das suas teses. Discordo desse discurso inflamado a acusar de assassinos, teóricos da economia.
            Não tenho a menor dúvida de que as ideias podem resultar em sofrimento e morte. Se acontece com o marxismo, também poderá acontecer com o liberalismo. Mas a responsabilidade efectiva é mesmo de quem mata. Lenine e Estaline e não Marx. Além de que este não se resume à leitura que os outros fizeram.

          3. Não defendo a economia do regime de Salvador Allende. Os chamados Chicago Boys dirigiram a economia dum país sob uma ditadura militar.
            Os seus sucessos são, por isso, discutíveis.
            Quanto a genocídio – falemos disso a propósito da acção militar e policial da ditadura, ou da colectivização forçada nos países socialistas africanos feita sob a ameaça das armas, ou de Pol Pot no Cambodja com 3 milhões de camponeses realmente mortos militarmente ou à fome. Ou ao que acontece na Coreia do Norte, pais que até há pouco tempo era amigo do PCP.

          4. Queria dizer:
            Não defendo a economia do regime de Pinochet e não “de Salvador Allende” que, para mim, foi um grande democrata, com uma coligação em desequilíbrio permanente!

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