O engano de Vitor Gaspar

 

Vitor Gaspar elogiou o povo português e considerou-o o melhor ativo de Portugal.

Ora, a única coisa que este dito “melhor povo do mundo” fez foi apertar o cinto que não é coisa que se possa dizer “muito ativa”.

Além do mais se o povo português é um ativo também é o seu próprio passivo, pois é este que se pretende diminuir com o referido aperto.

Finalmente, o povo português é o dono da empresa, por isso, não pode ser nem passivo nem ativo. Ele é que tem que ver se Vitor Gaspar é um ativo válido ou, antes, um passivo de Portugal.

A conspiração do Goldman Sachs

Goldman

O Goldman Sachs é um banco centenário, fundado em 1869.

Aparece agora relacionado com a crise do euro, como uma espécie de concílio secreto que governa o mundo nas costas dos governos e de outras instituições políticas internacionais, como uma espécie de loja maçónica ou mafia.

Não deixa de ser estranho que um banco que não aparece sequer no ranking dos 10 ou 20 bancos maiores do mundo e que não chega aos calcanhares do Deutsche Bank, do HSBC britânico, do Bank of America ou do Santander, apareça como “dono do mundo”.

Na verdade, só se assenhoreou do que os outros deixaram. Por isso, a responsabilidade da crise financeira não é só deles, mas de todos os que realmente detém o poder.

A sua ação é mais produtivamente comparada com a dum vírus financeiro do que com a de quem quer conquistar o mundo, ou se quiserem com a dum menino traquinas que troca subreticiamente as cartas dos jogadores só com a intenção de se divertir à custa dos outros. Enquadra-se nestes parâmetros a camuflagem das contas gregas, cuja principal responsabilidade foi do governo grego de Kostas Karamanlis que o solicitou como cliente, adquirindo com essa operação de esconder o défice, a possibilidade de entrar no Euro e uma dívida com o Goldman que terá de ser paga até 2037, salvo erro.

Mesmo considerando o Goldman um banco especializado em divida soberana, o seu lugar é apenas de 18º, entre os operadores da dívida francesa, no ranking da agência do tesouro francesa.

As teorias da conspiração deliciam-se em mostrar no currículo de alguns crânios da alta finança, a experiência comum de terem estado no Goldman: António Borges, enquanto diretor do departamento europeu do FMI, Henry Paulson, secretário do tesouro americano, Mário Draghi, diretor do BCE e Mário Monti, primeiro-ministro da Itália. Contudo, não temos prova de que estas pessoas sejam peões do Goldman, pois a sua atividade é enquadrada pelas regras das instituições a que pertencem.

A conspiração do Goldman Sachs

Goldman

O Goldman Sachs é um banco centenário, fundado em 1869.

Aparece agora relacionado com a crise do euro, como uma espécie de concílio secreto que governa o mundo nas costas dos governos e de outras instituições políticas internacionais, como uma espécie de loja maçónica ou mafia.

Não deixa de ser estranho que um banco que não aparece sequer no ranking dos 10 ou 20 bancos maiores do mundo e que não chega aos calcanhares do Deutsche Bank, do HSBC britânico, do Bank of America ou do Santander, apareça como “dono do mundo”.

Na verdade, só se assenhoreou do que os outros deixaram. Por isso, a responsabilidade da crise financeira não é só deles, mas de todos os que realmente detém o poder.

A sua ação é mais produtivamente comparada com a dum vírus financeiro do que com a de quem quer conquistar o mundo, ou se quiserem com a dum menino traquinas que troca subreticiamente as cartas dos jogadores só com a intenção de se divertir à custa dos outros. Enquadra-se nestes parâmetros a camuflagem das contas gregas, cuja principal responsabilidade foi do governo grego de Kostas Karamanlis que o solicitou como cliente, adquirindo com essa operação de esconder o défice, a possibilidade de entrar no Euro e uma dívida com o Goldman que terá de ser paga até 2037, salvo erro.

Mesmo considerando o Goldman um banco especializado em divida soberana, o seu lugar é apenas de 18º, entre os operadores da dívida francesa, no ranking da agência do tesouro francesa.

As teorias da conspiração deliciam-se em mostrar no currículo de alguns crânios da alta finança, a experiência comum de terem estado no Goldman: António Borges, enquanto diretor do departamento europeu do FMI, Henry Paulson, secretário do tesouro americano, Mário Draghi, diretor do BCE e Mário Monti, primeiro-ministro da Itália. Contudo, não temos prova de que estas pessoas sejam peões do Goldman, pois a sua atividade é enquadrada pelas regras das instituições a que pertencem.

Grande, a coluna de De Grauwe no Expresso

De Grauwe

 

Para resolver eficazmente o problema do défice público, as economias europeias deveriam cooperar em vez de remeter a responsabilidade da solução da dívida pública para os estados nacionais. De Grauwe explica como a austeridade conjunta mina os próprios efeitos que se pretendem. Espanha impõe drásticas medidas fiscais que diminuem as encomendas a Portugal que assim vê reduzidas as receitas fiscais que resultariam das exportações. Portugal também passa a importar menos de Espanha o que agrava também o nível das receitas fiscais espanholas. Agrava-se assim o défice público em ambos os países austeros.

A solução passaria por aumentar um pouco o défice dos países do norte da Europa, dando procura às economias do sul cujos estados beneficiariam de mais receitas fiscais e de melhores condições para pagarem as suas contas e diminuir a despesa pública.

Todos a fazer austeridade é que não resolve nada. Um dos motivos do fracasso, é o problema do défice não ter uma abordagem europeia. E nós não cooperamos porque desconfiamos uns dos outros.

Do que sabemos sem ter aprendido

 

Retirado de http://thesituationist.wordpress.com/tag/elizabeth-spelke/, pertence ao The Telegraph (http://www.telegraph.co.uk/)

 

“Os bebés já sabem muito quando nascem”, artigo que sai hoje, dia 5 de Outubro, no Expresso[i], constitui uma farpa nas crenças psicopedagógicas de muitos educadores e professores em Portugal. Elizabeth Spelke, uma psicóloga americana que tem estudado os conhecimentos fundamentais que os bebés possuem, confirma, com as suas pesquisas, teses diametralmente opostas ao construtivismo de orientação piagetiana que continua a predominar nas escolas de formação de professores e de educadores neste país.

No artigo, encontramos facilmente fatos inconsistentes com o construtivismo. Nós nascemos com capacidades cognitivas fundamentais que Piaget cria que se desenvolviam na criança, através da interação com o meio no chamado período sensório-motor. Seria esse o caso, por exemplo, do objeto que desaparece do campo visual da criança que levaria algum tempo a evoluir no sentido da noção da permanência do objeto, isto é, o desaparecimento dum objeto atrás de outro não significa para a criança a sua inexistência. Ora, como Elizabeth nos diz

“Os bebés parecem ter sido ‘construídos’ para dividirem o mundo percetível que veem em partes relacionadas que estão separadas uma a uma e que se movem como se estivessem ligadas, de uma forma contínua, mesmo quando estão fora da vista”

Um outro item muito pertinente é o reconhecimento da face humana. A teoria da equilibração entre acomodação e assimilação não é capaz de explicar a extraordinária capacidade dos bebés distinguirem a face humana de tudo o resto e aprenderem facilmente a distinguir rostos de pessoas diferentes. Simplesmente, nascemos com a capacidade de distinguir rostos uns dos outros. Chomsky deu o exemplo desta capacidade humana inata para a pôr em paralelo com a sua teoria da gramática universal que inicialmente designou de “generativa”. Veja-se, por exemplo, “Linguagem”, publicado em Linguagem – Enunciação no volume 2 da Enciclopédia Einaudi[ii] (p.51).

O mesmo acontece com o conceito de número que a psicologia genética apresentou como tendo origem nessa atividade sensório-motora. Spelke mostra um conceito original e inato que depois é precisado e desenvolvido. Para discutir este assunto, gostaria de revisitar a teoria de Piaget e Inhelder, mas prefiro avançar para outro domínio que me interessa mais – o da linguagem.

Estas pesquisas da psicologia e da neurociência têm, de uma forma consistente, comprovado a tese chomskiana de uma capacidade inata para o ser humano apreender as estruturas de uma língua. Os psicólogos de orientação piagetiana afadigavam-se a tentar provar que a linguagem se desenvolvia através da interacção com o meio e que obedecia a uma teoria geral da aprendizagem, a tal que refere os mecanismos de acomodação e asimilação, e que começa pela aquisição de uma função simbólica genérica. Contudo, relendo o célebre debate entre Chomsky e Piaget[iii], com vários intervenientes dos dois lados, descobrimos facilmente que os construtivistas não conseguem responder às objeções dos “inatistas”.

Ambas as teorias foram bem sucedidas e infiltraram-se na pedagogia como se entre elas não houvesse contradição. Duma forma geral, o pedagogo moderno era construtivista, isto é, acreditava que a capacidade de aprender se desenvolve duma forma relativamente independente do conteúdo a que se aplica. O que importava na educação era não apreender conteúdos e conceitos relativos aos objetos de estudo – a língua, os seres vivos, a história, a geografia, a matemática, etc. – mas sim de “aprender a aprender”.

Esta obsessão resultava na prática de colocar os alunos a descobrir coisas que o professor se inibia de ensinar diretamente, pois importava mais treinar os alunos como aprendentes.

Torna-se cada vez mais evidente que, por um lado, as capacidades cognitivas são inatas, embora tenham que se desenvolver em interação com o meio, e que por outro, não há nenhum “aprender a aprender” independente do conteúdo daquilo que se aprende. Por exemplo, não há nenhum “tempo histórico” que não passe pela memória de muitos fatos históricos nem generalização científica que não passe por conhecer muitos conceitos científicos.



[i] Expresso, 5/10/2012, Primeiro caderno, p. 23.

[ii] Noam Chomsky, “Linguagem”, in Linguagem – Enunciação, vol. 2 da Enciclopédia Einaudi, Lisboa, IN-CM, 1984, pp. 11-56.

[iii] Teorias da linguagem, teorias da aprendizagem, Lisboa, Edições 70, 1977.

Do que sabemos sem ter aprendido

 

Retirado de http://thesituationist.wordpress.com/tag/elizabeth-spelke/, pertence ao The Telegraph (http://www.telegraph.co.uk/)

 

“Os bebés já sabem muito quando nascem”, artigo que sai hoje, dia 5 de Outubro, no Expresso[i], constitui uma farpa nas crenças psicopedagógicas de muitos educadores e professores em Portugal. Elizabeth Spelke, uma psicóloga americana que tem estudado os conhecimentos fundamentais que os bebés possuem, confirma, com as suas pesquisas, teses diametralmente opostas ao construtivismo de orientação piagetiana que continua a predominar nas escolas de formação de professores e de educadores neste país.

No artigo, encontramos facilmente fatos inconsistentes com o construtivismo. Nós nascemos com capacidades cognitivas fundamentais que Piaget cria que se desenvolviam na criança, através da interação com o meio no chamado período sensório-motor. Seria esse o caso, por exemplo, do objeto que desaparece do campo visual da criança que levaria algum tempo a evoluir no sentido da noção da permanência do objeto, isto é, o desaparecimento dum objeto atrás de outro não significa para a criança a sua inexistência. Ora, como Elizabeth nos diz

“Os bebés parecem ter sido ‘construídos’ para dividirem o mundo percetível que veem em partes relacionadas que estão separadas uma a uma e que se movem como se estivessem ligadas, de uma forma contínua, mesmo quando estão fora da vista”

Um outro item muito pertinente é o reconhecimento da face humana. A teoria da equilibração entre acomodação e assimilação não é capaz de explicar a extraordinária capacidade dos bebés distinguirem a face humana de tudo o resto e aprenderem facilmente a distinguir rostos de pessoas diferentes. Simplesmente, nascemos com a capacidade de distinguir rostos uns dos outros. Chomsky deu o exemplo desta capacidade humana inata para a pôr em paralelo com a sua teoria da gramática universal que inicialmente designou de “generativa”. Veja-se, por exemplo, “Linguagem”, publicado em Linguagem – Enunciação no volume 2 da Enciclopédia Einaudi[ii] (p.51).

O mesmo acontece com o conceito de número que a psicologia genética apresentou como tendo origem nessa atividade sensório-motora. Spelke mostra um conceito original e inato que depois é precisado e desenvolvido. Para discutir este assunto, gostaria de revisitar a teoria de Piaget e Inhelder, mas prefiro avançar para outro domínio que me interessa mais – o da linguagem.

Estas pesquisas da psicologia e da neurociência têm, de uma forma consistente, comprovado a tese chomskiana de uma capacidade inata para o ser humano apreender as estruturas de uma língua. Os psicólogos de orientação piagetiana afadigavam-se a tentar provar que a linguagem se desenvolvia através da interacção com o meio e que obedecia a uma teoria geral da aprendizagem, a tal que refere os mecanismos de acomodação e asimilação, e que começa pela aquisição de uma função simbólica genérica. Contudo, relendo o célebre debate entre Chomsky e Piaget[iii], com vários intervenientes dos dois lados, descobrimos facilmente que os construtivistas não conseguem responder às objeções dos “inatistas”.

Ambas as teorias foram bem sucedidas e infiltraram-se na pedagogia como se entre elas não houvesse contradição. Duma forma geral, o pedagogo moderno era construtivista, isto é, acreditava que a capacidade de aprender se desenvolve duma forma relativamente independente do conteúdo a que se aplica. O que importava na educação era não apreender conteúdos e conceitos relativos aos objetos de estudo – a língua, os seres vivos, a história, a geografia, a matemática, etc. – mas sim de “aprender a aprender”.

Esta obsessão resultava na prática de colocar os alunos a descobrir coisas que o professor se inibia de ensinar diretamente, pois importava mais treinar os alunos como aprendentes.

Torna-se cada vez mais evidente que, por um lado, as capacidades cognitivas são inatas, embora tenham que se desenvolver em interação com o meio, e que por outro, não há nenhum “aprender a aprender” independente do conteúdo daquilo que se aprende. Por exemplo, não há nenhum “tempo histórico” que não passe pela memória de muitos fatos históricos nem generalização científica que não passe por conhecer muitos conceitos científicos.



[i] Expresso, 5/10/2012, Primeiro caderno, p. 23.

[ii] Noam Chomsky, “Linguagem”, in Linguagem – Enunciação, vol. 2 da Enciclopédia Einaudi, Lisboa, IN-CM, 1984, pp. 11-56.

[iii] Teorias da linguagem, teorias da aprendizagem, Lisboa, Edições 70, 1977.

Maus e bons

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Num recanto celestial, onde Deus ouve as mais secretas confissões, soaram
os queixumes da pessoa verdadeiramente boa:
– Já não há ninguém suficientemente mau que eu possa matar sem problemas de
consciência? Os judeus, os idólatras, os homossexuais, as adúlteras, as
prostitutas, os pretos, os tutsis, os heréticos, os comunistas, os
colonialistas, os contra-revolucionários… agora, parece que são todos
bons, ou, no pior dos casos, assim-assim.
E Deus cofiou nervosamente a sua longa barba de incontáveis anos e pensou
em como a humanidade na sua breve existência tanta coisa tinha mudado: como
me podem temer se já não sabem odiar? Como podem saber o que é o mal, se
não sabem onde estão os maus?

Inutilidade dos exames para a classificação dos alunos no 2º ciclo

O ministro Nuno Crato anunciou que os exames passariam a ter um peso maior no próximo ano.

Atualmente com um peso de 25% na classificação do aluno, o exame não é suficientemente motivador para os alunos que queiram melhorar a sua nota nem para moderar a atribuição de notas pelos professores.

Isso deve-se à estreiteza da escala de 1 a 5. A nota só muda em casos em que haja uma diferença de 2 níveis entre o exame e a frequência. Na prática, os professores não podem contar com os exames para nenhuma estratégia que vise motivar pela positiva ou pela negativa os seus alunos.

Se o professor atribuir 2 na frequência, o aluno já sabe que não vale a pena preparar-se. Em nada, será alterada a sua situação, pois passar de 2 para 4 é um cenário em que não vale a pena apostar em disciplinas como Língua Portuguesa e Matemática que necessitam de uma maturidade que demora bastante tempo a desenvolver.

A alteração do peso do exame de 25 para 30% não melhora em nada esta irrelevância:

 

 

Exame com peso de 25%

 

Exame com peso de 30%

Frequência

Exame

Final

 

Frequência

Exame

Final

1

3

2

 

1

3

2

1

4

2

 

1

4

2

1

5

2

 

1

5

2

2

4

3

 

2

4

3

2

5

3

 

2

5

3

3

1

3

 

3

1

2

3

5

4

 

3

5

4

4

1

3

 

4

1

3

4

2

4

 

4

2

3

5

1

4

 

5

1

4

5

2

4

 

5

2

4

5

3

5

 

5

3

4

 

Como se pode ver pela tabela acima, mantém-se exatamente a mesma situação. Os poucos casos em que o exame tem maior relevo são muito pouco prováveis.

Para dar algum peso aos exames, teríamos que ampliar a escala ou aumentar o seu peso para 50%. Ponho liminarmente de parte esta última hipótese, pois os exames não conseguem avaliar todas as competências programáticas.

Considerando a primeira hipótese, a escala da classificação final – de 1 a 5 – não precisava de ser ampliada. Bastaria que os elementos de avaliação que concorrem para esse resultado tivessem uma escala mais ampla. Nesse cenário, os professores atribuiriam as notas com aproximação a uma escala decimal e os exames teriam os seus resultados com a mesma aproximação.

Essa mudança faria todo o sentido. O grau de aproximação à unidade dos elementos que afluem à classificação final deve ser menor do que a dos números que expressam esse resultado.

O número de combinações possíveis entre resultados aumentaria estrondosamente, mas, uma vez que o aluno saiba o resultado da frequência, pode calcular o que necessita de ter no exame.

Por exemplo, com um peso de 25%, um aluno que tivesse 2,2 na frequência, necessitaria apenas de ter 3,4 no exame para ter o nível positivo de 3. Ora, com as mesmas notas aproximadas à unidade, o mesmo aluno tem agora 2.

Com a mudança para 30% no peso do exame, basta a um aluno ter uma classificação de 2,2 na frequência e de 3,2, no exame, para ter o nível 3, sem lhe ser requerido subir para 4.

Inutilidade dos exames para a classificação dos alunos no 2º ciclo

O ministro Nuno Crato anunciou que os exames passariam a ter um peso maior no próximo ano.

Atualmente com um peso de 25% na classificação do aluno, o exame não é suficientemente motivador para os alunos que queiram melhorar a sua nota nem para moderar a atribuição de notas pelos professores.

Isso deve-se à estreiteza da escala de 1 a 5. A nota só muda em casos em que haja uma diferença de 2 níveis entre o exame e a frequência. Na prática, os professores não podem contar com os exames para nenhuma estratégia que vise motivar pela positiva ou pela negativa os seus alunos.

Se o professor atribuir 2 na frequência, o aluno já sabe que não vale a pena preparar-se. Em nada, será alterada a sua situação, pois passar de 2 para 4 é um cenário em que não vale a pena apostar em disciplinas como Língua Portuguesa e Matemática que necessitam de uma maturidade que demora bastante tempo a desenvolver.

A alteração do peso do exame de 25 para 30% não melhora em nada esta irrelevância:

 

 

Exame com peso de 25%

 

Exame com peso de 30%

Frequência

Exame

Final

 

Frequência

Exame

Final

1

3

2

 

1

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2

 

1

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2

1

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2

 

1

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3

 

2

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3

2

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3

 

2

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3

1

3

 

3

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4

 

3

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1

3

 

4

1

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2

4

 

4

2

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1

4

 

5

1

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2

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5

2

4

5

3

5

 

5

3

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Como se pode ver pela tabela acima, mantém-se exatamente a mesma situação. Os poucos casos em que o exame tem maior relevo são muito pouco prováveis.

Para dar algum peso aos exames, teríamos que ampliar a escala ou aumentar o seu peso para 50%. Ponho liminarmente de parte esta última hipótese, pois os exames não conseguem avaliar todas as competências programáticas.

Considerando a primeira hipótese, a escala da classificação final – de 1 a 5 – não precisava de ser ampliada. Bastaria que os elementos de avaliação que concorrem para esse resultado tivessem uma escala mais ampla. Nesse cenário, os professores atribuiriam as notas com aproximação a uma escala decimal e os exames teriam os seus resultados com a mesma aproximação.

Essa mudança faria todo o sentido. O grau de aproximação à unidade dos elementos que afluem à classificação final deve ser menor do que a dos números que expressam esse resultado.

O número de combinações possíveis entre resultados aumentaria estrondosamente, mas, uma vez que o aluno saiba o resultado da frequência, pode calcular o que necessita de ter no exame.

Por exemplo, com um peso de 25%, um aluno que tivesse 2,2 na frequência, necessitaria apenas de ter 3,4 no exame para ter o nível positivo de 3. Ora, com as mesmas notas aproximadas à unidade, o mesmo aluno tem agora 2.

Com a mudança para 30% no peso do exame, basta a um aluno ter uma classificação de 2,2 na frequência e de 3,2, no exame, para ter o nível 3, sem lhe ser requerido subir para 4.

SPGL – Tempo de Mário Nogueira descansar.

Isso depende dos seus filiados.

Se votar A não dá o descanso merecido pelo Mário.

Eu, por mim, voto C, lembrando Rui Cinatti:

 

Causas perdidas
são as
que me dão vida.

Por isso te quero,
terra minha.

Por isso aterro
a minha casa.
Construo outra
igual, parecida.