SPGL – Tempo de Mário Nogueira descansar.

Isso depende dos seus filiados.

Se votar A não dá o descanso merecido pelo Mário.

Eu, por mim, voto C, lembrando Rui Cinatti:

 

Causas perdidas
são as
que me dão vida.

Por isso te quero,
terra minha.

Por isso aterro
a minha casa.
Construo outra
igual, parecida.

 

 

 

Da escola e das comunidades de aprendizagem.

A leitura de uma apresentação feita por José Luís Almeida sobre o futuro da escola, motivou-me os seguintes comentários que não são argumentação contra as teses apresentadas, mas simplesmente, uma expressão da minha opinião sobre os tópicos apresentados. Basicamente, defendo que a escola não irá operar uma mudança de 180º, isto é, nada justifica uma revolução pedagógica atualmente, embora a escola se modernize e adeque aos novos recursos e modos de vida representados pela revolução digital, eletrónica e virtual.

 

1. A dificuldade de acesso a recursos de aprendizagem tem a ver apenas com o lugar e o tempo, já que há uma enorme quantidade de recursos didáticos, científicos, culturais, técnicos (do género “How to do”) e informativos de acesso praticamente gratuito, seja para aprender línguas, a cozinhar, a programar computadores, redes e telemóveis. Para estudar e ler sobre quase todos os tópicos culturais e científicos, a quantidade de informação, de redes e de fóruns de comunidades online é gigantesca.

Desde a década de 70, que se fala na “lifelong education” – educação ao longo da vida . As novas tecnologias apenas tornam mais efetiva a possibilidade de as pessoas se auto-formarem.

 

2. Embora haja competências ditas transversais que o ensino escolar tradicional tem descurado, tem-se verificado a confirmação da importância e valor das competências escolares tradicionais que constituem a chave de acesso, o mapa do conhecimento humano que permite às pessoas se desenvolverem. Falamos de leitura, escrita, língua estrangeira, história e geografia (do seu país e do mundo), trabalho com números e padrões (aritmética e matemática). Além disso, a escola desenvolve competências expressivas, artísticas e físicas. Desenvolve também conhecimento científico e tecnológico.

 

3. Além disso, tem sido contestada ultimamente a tese de que se podem aprender técnicas de aprendizagem num vazio de conteúdos. Isto é, já não podemos dizer que o que se aprende pouco importa, o que interessa é “aprender a aprender”. Muito pelo contrário, as técnicas do aprender só fazem sentido em objetos de aprendizagem. De fato, conseguimos aprender mais porque já temos um mapa, uma base, que podemos completar e desenvolver, seja em que domínio que for. Muitas das competências tradicionais escolares são mesmo meios de acesso ao conhecimento, nomeadamente, a leitura, a escrita, as línguas e a matemática.

 

4. Com a rádio e a televisão criaram-se também ilusões a respeito da possibilidade de os professores serem dispensáveis, pois os conteúdos de aprendizagem poderiam ser difundidos. Verificou-se que os meios audiovisuais de ensino, não obstante experiências interessantes como a telescola, não se tornaram a regra e a escola tradicional manteve-se de pedra e cal.

 

5. Os conteúdos sempre estiveram acessíveis em bibliotecas públicas, em programas gravados e em diretos da rádio e da televisão, agora em formatos interativos e multimédia online, mas a sua aprendizagem nunca dispensou a mediação dos professores. A escola cria o ambiente necessário a que o indivíduo se interesse, se forme e se informe, que crie os hábitos e a disciplina que tornam possíveis essas aprendizagens. Para os adultos, são necessárias também comunidades que deem sentido ao estudo, ao treino e ao exercício. Nessas comunidades tem de haver mediadores, formadores ou professores que têm a autoridade necessária para orientar o trabalho de aprender, premiar o esforço e certificar resultados.

 

6. A escola já é uma comunidade de aprendizagem, mesmo na sua aceção mais tradicional. Não tenho a menor dúvida de que a escola deve utilizar da forma mais produtiva possível todos os recursos que a internet e as novas tecnologias permitem, mas não deve fugir da sua tarefa nuclear.

Da escola e das comunidades de aprendizagem.

A leitura de uma apresentação feita por José Luís Almeida sobre o futuro da escola, motivou-me os seguintes comentários que não são argumentação contra as teses apresentadas, mas simplesmente, uma expressão da minha opinião sobre os tópicos apresentados. Basicamente, defendo que a escola não irá operar uma mudança de 180º, isto é, nada justifica uma revolução pedagógica atualmente, embora a escola se modernize e adeque aos novos recursos e modos de vida representados pela revolução digital, eletrónica e virtual.

 

1. A dificuldade de acesso a recursos de aprendizagem tem a ver apenas com o lugar e o tempo, já que há uma enorme quantidade de recursos didáticos, científicos, culturais, técnicos (do género “How to do”) e informativos de acesso praticamente gratuito, seja para aprender línguas, a cozinhar, a programar computadores, redes e telemóveis. Para estudar e ler sobre quase todos os tópicos culturais e científicos, a quantidade de informação, de redes e de fóruns de comunidades online é gigantesca.

Desde a década de 70, que se fala na “lifelong education” – educação ao longo da vida . As novas tecnologias apenas tornam mais efetiva a possibilidade de as pessoas se auto-formarem.

 

2. Embora haja competências ditas transversais que o ensino escolar tradicional tem descurado, tem-se verificado a confirmação da importância e valor das competências escolares tradicionais que constituem a chave de acesso, o mapa do conhecimento humano que permite às pessoas se desenvolverem. Falamos de leitura, escrita, língua estrangeira, história e geografia (do seu país e do mundo), trabalho com números e padrões (aritmética e matemática). Além disso, a escola desenvolve competências expressivas, artísticas e físicas. Desenvolve também conhecimento científico e tecnológico.

 

3. Além disso, tem sido contestada ultimamente a tese de que se podem aprender técnicas de aprendizagem num vazio de conteúdos. Isto é, já não podemos dizer que o que se aprende pouco importa, o que interessa é “aprender a aprender”. Muito pelo contrário, as técnicas do aprender só fazem sentido em objetos de aprendizagem. De fato, conseguimos aprender mais porque já temos um mapa, uma base, que podemos completar e desenvolver, seja em que domínio que for. Muitas das competências tradicionais escolares são mesmo meios de acesso ao conhecimento, nomeadamente, a leitura, a escrita, as línguas e a matemática.

 

4. Com a rádio e a televisão criaram-se também ilusões a respeito da possibilidade de os professores serem dispensáveis, pois os conteúdos de aprendizagem poderiam ser difundidos. Verificou-se que os meios audiovisuais de ensino, não obstante experiências interessantes como a telescola, não se tornaram a regra e a escola tradicional manteve-se de pedra e cal.

 

5. Os conteúdos sempre estiveram acessíveis em bibliotecas públicas, em programas gravados e em diretos da rádio e da televisão, agora em formatos interativos e multimédia online, mas a sua aprendizagem nunca dispensou a mediação dos professores. A escola cria o ambiente necessário a que o indivíduo se interesse, se forme e se informe, que crie os hábitos e a disciplina que tornam possíveis essas aprendizagens. Para os adultos, são necessárias também comunidades que deem sentido ao estudo, ao treino e ao exercício. Nessas comunidades tem de haver mediadores, formadores ou professores que têm a autoridade necessária para orientar o trabalho de aprender, premiar o esforço e certificar resultados.

 

6. A escola já é uma comunidade de aprendizagem, mesmo na sua aceção mais tradicional. Não tenho a menor dúvida de que a escola deve utilizar da forma mais produtiva possível todos os recursos que a internet e as novas tecnologias permitem, mas não deve fugir da sua tarefa nuclear.

Para que servem os chumbos?

Paulo Santiago um especialista da OCDE, veio criticar o nosso sistema de avaliação por estar demasiado centrado na decisão final que se faz ana a ano. Veio repetir o que já se sabe há muito sobre o “chumbo”

“O chumbo não melhora o aproveitamento do aluno, reduz a sua autoestima, aumenta o abandono escolar e, ao mesmo tempo, gasta recursos”

Parece que o nosso ministro da educação ignora este fato. Mas, quando as estatísticas de abandono escolar aumentarem por causa da “exigência” na avaliação dita “sumativa”, ele mudará de opinião e de discurso.

Paulo Santiago volta ao exemplo finlandês:

“Tem de ser montado um sistema de ajuda aos alunos que têm mais dificuldades de aprendizagem, como na Finlândia, e introduzir técnicas próprias nas escolas para dar o apoio necessário a que esses alunos possam progredir de forma satisfatória.”

É verdade que os alunos filandeses com fraco desempenho, ao contrário do que acontece em Portugal, não chumbam. São lhes dadas outras oportunidades de aprender mais devagar, assegurando aprendizaens essenciais, sem que tenham de “chumbar”, que é uma medida cara para o Estado e que não tem resultados condizentes com o seu custo.


 

Veja a referida opinião no Educare

Para que servem os chumbos?

Paulo Santiago um especialista da OCDE, veio criticar o nosso sistema de avaliação por estar demasiado centrado na decisão final que se faz ana a ano. Veio repetir o que já se sabe há muito sobre o “chumbo”

“O chumbo não melhora o aproveitamento do aluno, reduz a sua autoestima, aumenta o abandono escolar e, ao mesmo tempo, gasta recursos”

Parece que o nosso ministro da educação ignora este fato. Mas, quando as estatísticas de abandono escolar aumentarem por causa da “exigência” na avaliação dita “sumativa”, ele mudará de opinião e de discurso.

Paulo Santiago volta ao exemplo finlandês:

“Tem de ser montado um sistema de ajuda aos alunos que têm mais dificuldades de aprendizagem, como na Finlândia, e introduzir técnicas próprias nas escolas para dar o apoio necessário a que esses alunos possam progredir de forma satisfatória.”

É verdade que os alunos filandeses com fraco desempenho, ao contrário do que acontece em Portugal, não chumbam. São lhes dadas outras oportunidades de aprender mais devagar, assegurando aprendizaens essenciais, sem que tenham de “chumbar”, que é uma medida cara para o Estado e que não tem resultados condizentes com o seu custo.


 

Veja a referida opinião no Educare

Pela pátria! Fürs Vaterland!

 

Pela Pátria, essa deusa que por nós pairava, se faziam juramentos sem limites, pois não há como medir o da vida!

Para Angola e em força!

Um dia, este grito ecoou.

A ele acorreram os heróis doutro tempo. Pouco importava o porquê!

Apenas: Angola é nossa!

 

Exatamente como Holderlin escreveu:

 

O nimmt mich, nimmt mich mit in die Reihen auf,
Damit ich einst nicht sterbe gemeinen Tods!      
Umsonst zu sterben, lieb’ ich nicht, doch           
Lieb ich, zu fallen am Opferhügel                       

 

(Ó, deixai-me ir nas vossas fileiras

para que não morra de morte comum

não vivo para morrer em vão

mas para morrer na colina do altar)

 

No altar da Pátria, escorre o sangue do sacrifício de alguns milhares.

Para quê? A Pátria não é de contas, nem de dever nem de haver.

 

Und zähle nicht die Toten! Dir ist,
Liebes! nicht Einer zu viel gefallen.

 

(Pátria, não contes os mortos. Por ti,

Amada, nem um a mais tombou)

Como se fazem turmas

 

“Resumindo: o aluno entra para a escola, realiza testes, os quais permitem identificar quais as áreas de excelência e as áreas de desenvolvimento do aluno. Em função dos resultados desses testes o aluno é colocado numa turma onde o nível de desempenho dos seus colegas é semelhante, sendo-lhe igualmente atribuído um Tutor, ou “Director de Turma”. O Tutor vai então discutir com o aluno, a sua família e outros profissionais (Segurança Social, Psicólogo, etc…) quais os objectivos que aquele aluno se propõe a atingir.”

 

A avaliação contínua dos alunos” no magnífico blogue do João André, Como dar aulas em Inglaterra

 

Por aqui, continuamos presos a supostos anos formais que não correspondem a grande coisa em termos de conhecimento e competências efetivas em vez de nos cingirmos ao que interessa realmente: grupos de idade e de conhecimentos efetivos viáveis.

Isto é, colocamos alunos em turmas correspondentes ao seu ano formal e, depois, multiplicamos os apoios, isto é, aumentamos o investimento para compensar uma má decisão pedagógica. Em vez de simplesmente

“discutir com o aluno, a sua família e outros profissionais (Segurança Social, Psicólogo, etc…) quais os objectivos que aquele aluno se propõe a atingir

Isso é mesmo impensável entre nós. A nossa escola é estatal, republicana, e toma todos como iguais, mesmo que sejam diferentes. Todos a passar pelas mesmas provas, os mesmos conteúdos. Se não sabem, reprovam, mesmo que antecipadamente já soubéssemos que esse seria o resultado, face ao programa oficial. Fazemos mais: generosamente, entregamo-los ao ano seguinte quando já sabemos que nada resulta. E a comédia continuará, com chumbos ou facilitismo…

Como se fazem turmas

 

“Resumindo: o aluno entra para a escola, realiza testes, os quais permitem identificar quais as áreas de excelência e as áreas de desenvolvimento do aluno. Em função dos resultados desses testes o aluno é colocado numa turma onde o nível de desempenho dos seus colegas é semelhante, sendo-lhe igualmente atribuído um Tutor, ou “Director de Turma”. O Tutor vai então discutir com o aluno, a sua família e outros profissionais (Segurança Social, Psicólogo, etc…) quais os objectivos que aquele aluno se propõe a atingir.”

 

A avaliação contínua dos alunos” no magnífico blogue do João André, Como dar aulas em Inglaterra

 

Por aqui, continuamos presos a supostos anos formais que não correspondem a grande coisa em termos de conhecimento e competências efetivas em vez de nos cingirmos ao que interessa realmente: grupos de idade e de conhecimentos efetivos viáveis.

Isto é, colocamos alunos em turmas correspondentes ao seu ano formal e, depois, multiplicamos os apoios, isto é, aumentamos o investimento para compensar uma má decisão pedagógica. Em vez de simplesmente

“discutir com o aluno, a sua família e outros profissionais (Segurança Social, Psicólogo, etc…) quais os objectivos que aquele aluno se propõe a atingir

Isso é mesmo impensável entre nós. A nossa escola é estatal, republicana, e toma todos como iguais, mesmo que sejam diferentes. Todos a passar pelas mesmas provas, os mesmos conteúdos. Se não sabem, reprovam, mesmo que antecipadamente já soubéssemos que esse seria o resultado, face ao programa oficial. Fazemos mais: generosamente, entregamo-los ao ano seguinte quando já sabemos que nada resulta. E a comédia continuará, com chumbos ou facilitismo…

Wir Lehrer gegen die Rechtschreibreform

Parece que é impossível fazer uma reforma ortográfica sem uma grande polémica e sem muita oposição. Os que divergem da mudança não sugerem nunca mudanças em sentido contrário, apenas se opõem a mudar os seus hábitos ortográficos. Tudo se resume ao seguinte – como está é que está bem. A escrita das palavras é uma aquisição feita em tenra idade. É uma norma cultural. A forma escrita da palavra, assim como as regras que aplicamos com todas as racionalizações que explicam as exceções tornam-se coisas absolutas que não queremos ver alteradas nem tidas à conta de meros arbítrios.

Na Reforma Ortográfica dos anos 90 na Alemanha, houve um estado – Schleswig Holstein – que resolveu desobedecer e não aderir ao acordo que envolvia três países – Alemanha, Suíça e Áustria.

Desenvolveu-se por toda a Alemanha o movimento “Wir Lehrer gegen die Rechtschreibreform” – Nós professores contra a reforma ortográfica.

Contudo, a nova ortografia aí está. Eu mal sei como era a anterior, pois já me basta a difiuldade do idioma para me preocupar com a história recente da sua escrita.

Fui alertado para este facto particular pela obra Spelling and society: the culture and politics of orthography around the world.

 

 

 

Wir Lehrer gegen die Rechtschreibreform

Parece que é impossível fazer uma reforma ortográfica sem uma grande polémica e sem muita oposição. Os que divergem da mudança não sugerem nunca mudanças em sentido contrário, apenas se opõem a mudar os seus hábitos ortográficos. Tudo se resume ao seguinte – como está é que está bem. A escrita das palavras é uma aquisição feita em tenra idade. É uma norma cultural. A forma escrita da palavra, assim como as regras que aplicamos com todas as racionalizações que explicam as exceções tornam-se coisas absolutas que não queremos ver alteradas nem tidas à conta de meros arbítrios.

Na Reforma Ortográfica dos anos 90 na Alemanha, houve um estado – Schleswig Holstein – que resolveu desobedecer e não aderir ao acordo que envolvia três países – Alemanha, Suíça e Áustria.

Desenvolveu-se por toda a Alemanha o movimento “Wir Lehrer gegen die Rechtschreibreform” – Nós professores contra a reforma ortográfica.

Contudo, a nova ortografia aí está. Eu mal sei como era a anterior, pois já me basta a difiuldade do idioma para me preocupar com a história recente da sua escrita.

Fui alertado para este facto particular pela obra Spelling and society: the culture and politics of orthography around the world.