Numa entrevista, concedida em 1934, Hitler declarou o seguinte, sobre a relação entre nazismo e blochevismo:
“Não é a Alemanha que vai tornar-se bolchevique, mas sim o bolchevismo que se transformará numa espécie de nacional-socialismo. E não só porque existem mais laços que nos unem ao blochevismo do que elementos que nos separam. Acima de tudo, há um verdadeiro sentimento revolucionário que está vivo em toda a Rússia, excepto onde existem judeus marxistas. Sempre distingui o são do podre e sempre insisti para que os antigos comunistas fossem admitidos no partido sem demora. O pequeno-burguês socialista e o chefe sindical nunca darão um nacional-socialista, mas o militante comunista sim”
(Entrevista concedida a Hermann Rauschning, citada por Furet, François, O passado de uma ilusão. Ensaio sobre a ideia comunista no século XX, Lisboa, Presença, 1996.)
Deveriam estas declarações irritar os militantes comunistas, quero dizer aqueles que ainda o são, e que ainda não se passaram para um nacionalismo-qualquer coisa? Talvez não!

A admiração de Hitler pelos comunistas foi demoradamente descrita no seu Mein Kampf. Ao tentar justificar o espantoso sucesso do marxismo junto do povo, Hitler refere-se à convicção infatigável dos seus propagandistas e agitadores. Entre muitas páginas de louvor, há uma que sempre escolho para ler aos meus alunos – recordo, a propósito, que o facto de eu ler passos do Mein Kampf aos meus alunos já originou um dia uma acalorada e tensa discussão com um encarregado de educação que me dizia ser isso muito nefasto, o que me pareceu muito bem, sobretudo se pensarmos que aquele bom pai e atento cidadão, depois de uma concórdia moderada, o foi ler para casa.
Esse excerto que sempre escolho diz respeito à influência que os comunistas tiveram sobre a máquina de propaganda nazi: “A vitória do marxismo foi também devida às formidáveis demonstrações colectivas, àqueles cortejos de centenas e milhares de homens, perante os quais os indivíduos se julgavam mesquinhos vermes, mas, não obstante isso, orgulhavam-se de pertencer à gigantesca organização, ao sopro da qual o odiado mundo burguês podeeria ser incendiado, permitindo à ditadura proletária festejar a sua vitória final”.
Terá Hitler aprendido a lição muito bem, como se via anualmente, durante os anos 30, em Nuremberga.
curiosíssima. Afinal, aquilo que sempre sabemos: os extremos tocam-se. Será por isso é que é tão difícil alguém assumir-se como tolerante? Será por isso que é tão difícil alguém ser “bem visto” por ser políticamente moderado? O mais difícil é sê-lo e “mesmo assim” ajudar a que o mundo se mova. Ah e movendo-se com os extremos dentro dele e do mundo.
A aproximação entre bolchevismo e nazismo tem muito mais substância do que eu pensei até aqui. A versão que temos difundida do painel político da esquerda para a direita á a que convém a esses dois movimentos. A ideia, por exemplo, de que o nazismo é uma resposta burguesa à ameaça comunista, convém sobretudo à sobrevivência do comunismo. De facto, um dos aspectos que ambos os movimentos têm em comum, é um ódio mortal, declarado à burguesia.
Acho bem que se leiam partes do Mein Kampf, embora considere haver o risco de que o palavreado radical empolgue os jovens menos “raciocinantes”. Repare-se como Hitler constrói todo o seu projecto à volta de algumas palavras-chave, como a associação perversa e contraditória entre marxismo, judeus e burguesia. Depois enviou indiscriminadamente todos os judeus para os campos de concentração, quer fossem ou não, burgueses ou marxistas.
A aproximação entre bolchevismo e nazismo tem muito mais substância do que eu pensei até aqui. A versão que temos difundida do painel político da esquerda para a direita á a que convém a esses dois movimentos. A ideia, por exemplo, de que o nazismo é uma resposta burguesa à ameaça comunista, convém sobretudo à sobrevivência do comunismo. De facto, um dos aspectos que ambos os movimentos têm em comum, é um ódio mortal, declarado à burguesia.
Acho bem que se leiam partes do Mein Kampf, embora considere haver o risco de que o palavreado radical empolgue os jovens menos “raciocinantes”. Repare-se como Hitler constrói todo o seu projecto à volta de algumas palavras-chave, como a associação perversa e contraditória entre marxismo, judeus e burguesia. Depois enviou indiscriminadamente todos os judeus para os campos de concentração, quer fossem ou não, burgueses ou marxistas.
Há quem chame a isso o ressabiamento constante com a vida e com os outros…e bem camuflado.