Predicativo do sujeito

É perturbante que o dicionário terminológico, que eu considero um bom instrumento de trabalho, não responda eficazmente a algumas dúvidas elementares colocadas pelas suas definições. O caso que tenho entre mãos é o “predicativo do sujeito” que é assim definido:

“Função sintáctica desempenhada pelo constituinte que ocorre em frases com verbos copulativos, que predica algo acerca do sujeito.”

A definição de verbos copulativos é lamentavelmente circular, isto é, leva-nos de novo à entrada de “predicativo do sujeito”, facto que foi devidamente assinalado no momento da discussão da Tlebs.

Verbo que ocorre numa frase em que existe um constituinte com a função sintáctica de sujeito e outro com a função sintáctica de predicativo do sujeito.”

Como são interdependentes, ficamos sem saber o que é um e o que é o outro.

É neste enredado que aparecem as dúvidas. No Guião de Implementação do Programa de Conhecimento Explícito da Língua, aparecem, numa das actividades propostas para o assunto do predicativo do sujeito, as seguintes frases:

  • O Pedro saiu zangado.
  • A Maria chegou triste.
  • O António nasceu português.

São frases cujos predicados eram designados por verbo-nominais por conterem também um predicativo do sujeito. Veja um exemplo desta classificação numa entrada da Wikipedia: Predicado (gramática).

Ora, no dicionário não aparece nenhuma solução para designar correctamente a função sintática dos constituintes sublinhados nas frases acima. Como vimos, a classificação de predicativo contradiz as definições do dicionário, pois os verbos das três frases não são copulativos.

Não obtenho uma resposta assertiva e clara por parte dos autores do dicionário: qual é a função sintáctica desses adjectivos.

A minha resposta é: predicativo do sujeito! Mas fico perturbado com a contradição com o dicionário e com a consistência da actividade do GIP que foi precisamente buscar estes casos para mostrar ao aluno que estas frases não têm predicativo do sujeito, pois os grupos adjectivais podem ser excluídos sem que a frase fique agramatical.

10 comentários em “Predicativo do sujeito”

  1. Os constituintes sublinhados têm apenas, e claramente, uma função adverbial; a sua supressão (amputando, é certo, o sentido) em nada lesaria a consistência gramatical da oração em que surgem – o que ocorreria se fossem predicativos do sujeito.

    Cumprimentos.

    1. Se se considera que o predicativo do sujeito é um complemento, como o inglês “subject complement” sugere, estes grupos não podem ser “predicativos”. O problema é o seguinte: qual é a sua função sintáctica, então?
      É isto que ficou por resolver. Modificadores do verbo ou do nome? Acho que são modificadores do nome, porque concordam em género e número com ele. Contudo têm uma mediação do verbo essencial e não se podem mover para junto dos nomes a que respeitam sem alterar o sentido da frase.
      É uma espécie de predicativo do sujeito só que em vez de complemento é modificador.

      1. Modificadores do verbo, claramente.
        Ainda que sob a forma de adjectivo (e, portanto, concordando em género e número com o sujeito), os constituintes sublinhados evidenciam o modo como o acto ocorreu. Complemento circunstancial de modo não serve? Serve.

        1. Como o Lúcio explicou que se pode excluir o grupo mantendo a gramaticalidade da frase e o exercício que refiro no “post” faz isso mesmo, concluo que é um uso adverbial do adjectivo embora me perturbe o facto da concordância em género e número com o sujeito.
          Chamamos a isso modificador porque usamos a palavra complemento para referir a selecção obrigatória pelo verbo.
          Ora, numa perspectiva sintáctica, o predicativo do sujeito é um complemento dos verbos copulativos.
          Se assim é, estes, como não são obrigatórios, são modificadores do verbo.

  2. Os constituintes sublinhados têm apenas, e claramente, uma função adverbial; a sua supressão (amputando, é certo, o sentido) em nada lesaria a consistência gramatical da oração em que surgem – o que ocorreria se fossem predicativos do sujeito.

    Cumprimentos.

    1. Se se considera que o predicativo do sujeito é um complemento, como o inglês “subject complement” sugere, estes grupos não podem ser “predicativos”. O problema é o seguinte: qual é a sua função sintáctica, então?
      É isto que ficou por resolver. Modificadores do verbo ou do nome? Acho que são modificadores do nome, porque concordam em género e número com ele. Contudo têm uma mediação do verbo essencial e não se podem mover para junto dos nomes a que respeitam sem alterar o sentido da frase.
      É uma espécie de predicativo do sujeito só que em vez de complemento é modificador.

      1. Modificadores do verbo, claramente.
        Ainda que sob a forma de adjectivo (e, portanto, concordando em género e número com o sujeito), os constituintes sublinhados evidenciam o modo como o acto ocorreu. Complemento circunstancial de modo não serve? Serve.

        1. Como o Lúcio explicou que se pode excluir o grupo mantendo a gramaticalidade da frase e o exercício que refiro no “post” faz isso mesmo, concluo que é um uso adverbial do adjectivo embora me perturbe o facto da concordância em género e número com o sujeito.
          Chamamos a isso modificador porque usamos a palavra complemento para referir a selecção obrigatória pelo verbo.
          Ora, numa perspectiva sintáctica, o predicativo do sujeito é um complemento dos verbos copulativos.
          Se assim é, estes, como não são obrigatórios, são modificadores do verbo.

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