Quem perde ganha – um novo patamar

Não sei se viram a ISIC, ontem (22h, 16/09/2016).

Com o novo reality show, a SIC Independente, o novo canal saído do cadáver da privatizada RTP, ultrapassa mais uma fronteira neste género de programas.

“Quem perde ganha – vence um cancro!” põe à prova as novas terapias recentemente divulgadas na Fundação Champalimaud.

Luís Filipe Redes, um dos concorrentes, exibia todo sorridente a ecografia dum seu tumor no estomago. “Não tenho só este, mas pu-lo no concurso, porque é o mais redondinho. Espero diminuí-lo drasticamente e levar o prémio para casa”. Na outra mão, tinha uma pequena estatueta da Nossa Senhora de Fátima. Explicava: “Temos que apostar em tudo!”

Às objeções de vários comentadores, onocologistas de serviço no concurso declararam que nada diferencia este programa dum de emagrecimento, pois, tanto num como noutro, a perda de matéria corporal depende de factores incontroláveis e não apenas da vontade dos concorrentes.

Ora acontece o mesmo com todos os concursos perde-ganha em que Portugal se tem envolvido, como é o caso da diminuição da dívida pública, feita à custa do decrescimento económico e do abaixamento do rendimento dos cidadãos – perdas que dependem de mais factores do que a nossa vontade.

Perdedores, portanto, ganhadores.

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