As metas eram necessárias?

Se não indispensáveis, seriam pelo menos muito úteis se não se perdessem numa atomização e burocratização hierarquizante que nos fazem perder de vista a manta, diante dos retalhos. A este respeito, a proposta anterior era ainda pior. Mas a maior simplicidade foi prejudicada pela ambição de fazer programa por essa via.

As metas servir-nos-iam se nos dessem uma perspetiva global, sintética, do nível de desempenho que se deve esperar dum aluno. Seriam úteis se integradas num percurso escolar centrado em desempenhos reais e não apenas numa vaga noção de maior exigência que conduzirá apenas a maior insucesso.

Por exemplo, os “attainment targets” do National Curriculum inglês aproximam-se deste conceito. Referem-se às quatro competências do inglês: falar, ouvir, ler e escrever e definem nove níveis de desempenho que um aluno pode realizar em cada uma. Cada nível é descrito num parágrafo de cerca de 50 palavras (http://www.education.gov.uk/schools/teachingandlearning/curriculum/primary/b00198874/english/attainment/en2).

Tal como estão definidas, as metas substituem-se ao programa oficial e colidem com ele.

Novas metas, novos manuais escolares

As editoras seguem febrilmente as iniciativas legislativas no campo da educação. Não há nada de novo que apareça que não conduza a um novo projeto editorial. A publicação das metas culrriculares revistas, pois já as havia, conduziram à atualização dos manuais.

No caso do Português do 2º ciclo, com a inserção de outros textos com os respetivos materiais didáticos, os manuais já não são os que foram escolhidos pelas escolas, numa seleção que deveria ter uma validade de 6 anos.

Se o sistema fosse coerente, as escolas deveriam analisar de novo a oferta e fazer uma nova seleção de entre os novos manuais.

Esta opção, a dita atualização, prejudicará as famílias grandes que terão que gastar mais dinheiro do que o previsto, pois o manual de Português já não pode transitar para os mais novos.

A necessidade de rever os manuais prova que as metas são, na verdade, uma nova proposta programática. A criação duma nova área – a educação literária – e a mudança dos termos programáticos evidenciam uma cruzada contra os programas em vigor. Mas estes surgiram de um trabalho muito extenso, com reflexões aprofundadas sobre o ensino da gramática, da oralidade, da leitura e da escrita e incluíram um grande programa de formação de professores a nível nacional que movimentou muita gente.

Novas metas, novos manuais escolares

As editoras seguem febrilmente as iniciativas legislativas no campo da educação. Não há nada de novo que apareça que não conduza a um novo projeto editorial. A publicação das metas culrriculares revistas, pois já as havia, conduziram à atualização dos manuais.

No caso do Português do 2º ciclo, com a inserção de outros textos com os respetivos materiais didáticos, os manuais já não são os que foram escolhidos pelas escolas, numa seleção que deveria ter uma validade de 6 anos.

Se o sistema fosse coerente, as escolas deveriam analisar de novo a oferta e fazer uma nova seleção de entre os novos manuais.

Esta opção, a dita atualização, prejudicará as famílias grandes que terão que gastar mais dinheiro do que o previsto, pois o manual de Português já não pode transitar para os mais novos.

A necessidade de rever os manuais prova que as metas são, na verdade, uma nova proposta programática. A criação duma nova área – a educação literária – e a mudança dos termos programáticos evidenciam uma cruzada contra os programas em vigor. Mas estes surgiram de um trabalho muito extenso, com reflexões aprofundadas sobre o ensino da gramática, da oralidade, da leitura e da escrita e incluíram um grande programa de formação de professores a nível nacional que movimentou muita gente.

Adão e Eva reloaded

Adão e Eva

 

Afinal, Adão e Eva existiram mesmo, mas, ao contrário do que Génesis nos conta, podem muito bem não ter dormido juntos, ou sequer ter travado “conhecimento” mútuo, no sentido genésico que este termo tem no referido contexto1. Terão vivdo na mesma época, apenas separados por uns míseros vinte e um mil anos, no máximo.

A crer num artigo do Público de 2 de Agosto que nos informa sobre uma pesquisa genética da Universidade de Stanford, Adão, o homem que nos doou o cromossoma Y, terá vivido há 120 a 156 mil anos e a Eva, que doou a toda a humanidade a sua mitocôndria, terá vivido há cerca de 99 mil a 148 mil anos.

Esta cronologia evidencia um injusta assimetria, já que, embora possa acontecer que a mitocôndria do dito Adão seja a da referida Eva, esta, pode em qualquer dos casos, não ter nada dele. Isto porque todas as mitocôndrias, incluindo a minha e a sua, seja homem ou mulher, têm origem materna, pois as dos pais perdem-se inevitavelmente por força da violência deste modo de reprodução que manda para a reciclagem uma boa parte do pobre espermatozóide, na traumática entrada no óvulo. A única forma de os machos entregarem à posteridade a referida parte das suas células seria através da clonagem, mas neste caso, só as doaríamos a machos que as perderiam, logo, na geração seguinte.

Não é que nós, homens, não doemos nada à parte feminina da geração seguinte. Na verdade, todas as mulheres têm um cromossoma X com ADN masculino que se recombina com o do óvulo, tal como o ADN dos outros cromossomas do núcleo celular. O problema é que, como se recombina, perde a marca da sua origem masculina e não permite estas pesquisas de história genética.

 Mitocondrias

A mitocôndria é um importante organelo da célula, essencial na disponiblização de energia, que tem uma origem feminina, isto é, cada célula do nosso corpo tem cópias da mitocôndria do óvulo, salvo as inevitáveis mutações, que mais não são do que erros de ortografia cometidos pelo RBN (ácido ribonucleico). Como a mitocôndria tem o seu próprio ADN, ele é o mesmo da Eva primordial e nunca se combinou com o ADN de nenhum homem.

Na imagem à esquerda2, pode-se ver, sob o número 9, com a forma de chinelos, a mitocôndria, a amarelo, a parte que contém o seu ADN, afastada do núcleo da célula.


1
“E conheceu Adäo a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim” (Génesis, 4:1)

2 Imagem retirada de “Mitocôndria” in Wikipédia, (https://pt.wikipedia.org).

Imagem de Adão e Eva retirada de “Adão e Eva” in Wikipédia, (https://pt.wikipedia.org).

Adão e Eva reloaded

Adão e Eva

 

Afinal, Adão e Eva existiram mesmo, mas, ao contrário do que Génesis nos conta, podem muito bem não ter dormido juntos, ou sequer ter travado “conhecimento” mútuo, no sentido genésico que este termo tem no referido contexto1. Terão vivdo na mesma época, apenas separados por uns míseros vinte e um mil anos, no máximo.

A crer num artigo do Público de 2 de Agosto que nos informa sobre uma pesquisa genética da Universidade de Stanford, Adão, o homem que nos doou o cromossoma Y, terá vivido há 120 a 156 mil anos e a Eva, que doou a toda a humanidade a sua mitocôndria, terá vivido há cerca de 99 mil a 148 mil anos.

Esta cronologia evidencia um injusta assimetria, já que, embora possa acontecer que a mitocôndria do dito Adão seja a da referida Eva, esta, pode em qualquer dos casos, não ter nada dele. Isto porque todas as mitocôndrias, incluindo a minha e a sua, seja homem ou mulher, têm origem materna, pois as dos pais perdem-se inevitavelmente por força da violência deste modo de reprodução que manda para a reciclagem uma boa parte do pobre espermatozóide, na traumática entrada no óvulo. A única forma de os machos entregarem à posteridade a referida parte das suas células seria através da clonagem, mas neste caso, só as doaríamos a machos que as perderiam, logo, na geração seguinte.

Não é que nós, homens, não doemos nada à parte feminina da geração seguinte. Na verdade, todas as mulheres têm um cromossoma X com ADN masculino que se recombina com o do óvulo, tal como o ADN dos outros cromossomas do núcleo celular. O problema é que, como se recombina, perde a marca da sua origem masculina e não permite estas pesquisas de história genética.

 Mitocondrias

A mitocôndria é um importante organelo da célula, essencial na disponiblização de energia, que tem uma origem feminina, isto é, cada célula do nosso corpo tem cópias da mitocôndria do óvulo, salvo as inevitáveis mutações, que mais não são do que erros de ortografia cometidos pelo RBN (ácido ribonucleico). Como a mitocôndria tem o seu próprio ADN, ele é o mesmo da Eva primordial e nunca se combinou com o ADN de nenhum homem.

Na imagem à esquerda2, pode-se ver, sob o número 9, com a forma de chinelos, a mitocôndria, a amarelo, a parte que contém o seu ADN, afastada do núcleo da célula.


1
“E conheceu Adäo a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim” (Génesis, 4:1)

2 Imagem retirada de “Mitocôndria” in Wikipédia, (https://pt.wikipedia.org).

Imagem de Adão e Eva retirada de “Adão e Eva” in Wikipédia, (https://pt.wikipedia.org).

Holocausto

Memorial das vítimas do programa de eutanásia nazi

 

São cerca de 70 000 as vítimas alemãs do programa de extermínio de pessoas deficientes. Se acrescentarmos o número das vítimas na Europa ocupada, o total andará pelas 300000. Um grande massacre de pessoas que teriam sido amadas pelos seus, se o seu destino não tivesse sido tão arbitrariamente concluído.

Fragonard no exame de História da Cultura e das Artes do 12º ano

Uma das tarefas do teste de exame História da Cultura e das Artes do 12º ano baseava-se em quatro quadros. Entre esses, estavam estes dois: Fragonard, L’Amour-Amitié (1771) e Boticelli, quadro sem nome, de cerca de 1482, postumamente designado Primavera.

A questão que os alunos tinham de resolver é a seguinte: qual dos quadros se baseia na mitologia grega:

 

 

 

 

Se os dois outros quadros não me oferecem qualquer dúvida, pois são de evidente temática cristã, estes dois, uma vez que os alunos tinham que optar, constituem uma grande dficuldade. 

 

Em Botticeli, temos o vento Zéfiro a assediar Flora, ao lado da Primavera. Ao centro, Vénus, a deusa do Amor. Do outro lado, as três Graças, entretidas com a sua dança de costas para a ameaça que significa o “putto”, na verdade, Cupido que é, como quem diz, o próprio Amor. Entretido  com os frutos, está Mercúrio, alheado das três beldades. Parece tratar-se duma história de Ovídio.

 

No quadro de Fragonard, temos um ato de declaração de amor. A rapariga segura uma carta que poderia ser um registo escrito dessa declaração.  Do lado direito, em forma de estátua, encontram-se Vénus e o Amor (Cupido). A designação do quadro Amour-Amitié remete para o domínio da alegoria de que os deuses greco-latinos são exemplo. Chamam-lhe também Confissão de Amor.

Esta designação tem duas leituras. A mais comum que é o arrriscado momento em que alguém se declara apaixonado ao objeto dessa paixão. O outro sentido é a confissão que o Amor tem de fazer a Alma no mito grego de Eros e Psyche. Eros, Cupido ou Amor é filho de Afrodite ou Vénus e apaixona-se por uma rapariga chamada Psyche ou Alma. Essa paixão inesperada – pois não é suposto o próprio Amor apaixonar-se – deve-se a um acidente em que o Amor se pica na própria seta. Há um momento em que se tem de declarar à jovem humana Psyche. A designação de “confissão” é aqui pertinente. Trata-se dum arquétipo de toda e qualquer declaração amorosa.

 

O Amor como uma personagem mítica e alegórica é frequente na pintura de Fragonard que se encontra em vários outros quadros. Por exemplo, Amour porsuivant une Colombe, aqui ao lado.

 

Não há dúvida que este quadro de Fragonard não era o melhor para contrastar com Primavera de Boticelli, do ponto de vista da mitlogia greco-latina.

 

Bibliografia:

 

Quadro de Fragonard em Similart: http://www.similart.fr/amour-poursuivant-une-colombe

“Gaças” em Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gra%C3%A7as

“Jean-Honoré Fragonard” em Wikipedia: http://fr.wikipedia.org/wiki/Jean-Honor%C3%A9_Fragonard

“Primavera (painting)” em Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Primavera_(painting)

Fragonard no exame de História da Cultura e das Artes do 12º ano

Uma das tarefas do teste de exame História da Cultura e das Artes do 12º ano baseava-se em quatro quadros. Entre esses, estavam estes dois: Fragonard, L’Amour-Amitié (1771) e Boticelli, quadro sem nome, de cerca de 1482, postumamente designado Primavera.

A questão que os alunos tinham de resolver é a seguinte: qual dos quadros se baseia na mitologia grega:

 

 

 

 

Se os dois outros quadros não me oferecem qualquer dúvida, pois são de evidente temática cristã, estes dois, uma vez que os alunos tinham que optar, constituem uma grande dficuldade. 

 

Em Botticeli, temos o vento Zéfiro a assediar Flora, ao lado da Primavera. Ao centro, Vénus, a deusa do Amor. Do outro lado, as três Graças, entretidas com a sua dança de costas para a ameaça que significa o “putto”, na verdade, Cupido que é, como quem diz, o próprio Amor. Entretido  com os frutos, está Mercúrio, alheado das três beldades. Parece tratar-se duma história de Ovídio.

 

No quadro de Fragonard, temos um ato de declaração de amor. A rapariga segura uma carta que poderia ser um registo escrito dessa declaração.  Do lado direito, em forma de estátua, encontram-se Vénus e o Amor (Cupido). A designação do quadro Amour-Amitié remete para o domínio da alegoria de que os deuses greco-latinos são exemplo. Chamam-lhe também Confissão de Amor.

Esta designação tem duas leituras. A mais comum que é o arrriscado momento em que alguém se declara apaixonado ao objeto dessa paixão. O outro sentido é a confissão que o Amor tem de fazer a Alma no mito grego de Eros e Psyche. Eros, Cupido ou Amor é filho de Afrodite ou Vénus e apaixona-se por uma rapariga chamada Psyche ou Alma. Essa paixão inesperada – pois não é suposto o próprio Amor apaixonar-se – deve-se a um acidente em que o Amor se pica na própria seta. Há um momento em que se tem de declarar à jovem humana Psyche. A designação de “confissão” é aqui pertinente. Trata-se dum arquétipo de toda e qualquer declaração amorosa.

 

O Amor como uma personagem mítica e alegórica é frequente na pintura de Fragonard que se encontra em vários outros quadros. Por exemplo, Amour porsuivant une Colombe, aqui ao lado.

 

Não há dúvida que este quadro de Fragonard não era o melhor para contrastar com Primavera de Boticelli, do ponto de vista da mitlogia greco-latina.

 

Bibliografia:

 

Quadro de Fragonard em Similart: http://www.similart.fr/amour-poursuivant-une-colombe

“Gaças” em Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gra%C3%A7as

“Jean-Honoré Fragonard” em Wikipedia: http://fr.wikipedia.org/wiki/Jean-Honor%C3%A9_Fragonard

“Primavera (painting)” em Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Primavera_(painting)

A morte de Satanás

Nada mais natural que a morte de um seja acompanhada pela morte do outro. Para os que celebram a morte de Deus, desde o famoso Assim falava Zaratrusta de Nietzsche, Satanás deixa de ter também razão de ser. Curiosamente, os satanistas encarregaram-se também de matar o pai, tal como o Vaticano tem feito http://www.apsatanismo.org/aps_frame.html. Enfim, Satanás, o diabo, está morto por todos os lados.

Pesadelo em Portugal

Em mais uma artigo no NYT, é com esta palavra que Krugman define a situação portuguesa: *Nightmare*. O artigo: Nightmare em Portugal.

À revelia do que se aprendeu desde a grande depressão do final dos anos vinte, que é com expansão monetária que se resolvem crises destas, em Portugal e nos outros países periféricos, faz-se o contrário, com políticas que não cumprem nenhum dos objetivos que se proõem atingir. Não é que Krugman pretenda ilibar os governos anteriores ou apoiar os grupos de esquerda que já não se sabe se são marxistas ou keynesianos. Ele recusa o que muitos outros já disseram, como Stiligtz ou De Grauwe, nas crónicas publicadas no Expresso: “a situation in which austerity in the periphery is reinforced by austerity in the core, too”. Quer dizer, poderia haver austeridade na periferia desde que houvesse alguma expansão no centro da Europa. Todos à míngua é que não!