A obra de Farhad Khosrokhavar

Faço este “post” quase com o fito de fixar este nome, não o esquecer, pois, evidentemente, ainda não estou em condições de escrever sobre a obra deste extraordinário sociólogo. Conheci-o num artigo do New York Times sobre a radicalização dos islamitas nas prisões francesas.

Pois o homem estuda o assunto há mais de uma década. Fenómenos que nos parecem agora de uma novidade horrorosa já foram objeto da sua análise. Por exemplo, o uso de crianças com bombas pelo Boko Haram. Novidade? Pois os iranianos utilizaram-nas na guerra com o Iraque. As crianças iam à frente despoletar as minas para abrir caminho para os soldados. O assunto está escalpelizado em profundidade na obra L’Islamisme et la mort : le martyre révolutionnaire en Iran (Paris, L’Harmattan,1995).

O chamado islamismo radical inquieta-nos. O terror que lhe está associado convoca-nos à ação pela afronta que ele representa para os nossos valores. Precisamos de pessoas sábias e experientes que nos deem a conhecer a realidade. Aqui está: Farhad Khosrokhavar.

Um estado venal

Esta imagem, retirada de Idealista.pt, remete para os dois aspetos do problema dos vistos gold: autorizações de residência e negócios de imobiliário.

 

Li com interesse “Um pecado original” do Daniel Oliveira no Expresso (22-11-2014)Se eu estava com dúvidas a respeito dos vistos Gold, o Daniel convenceu-me com um mínimo de retórica.

O estado não pode discriminar financeiramente quem connosco quer residir. Ainda que se admitam restrições financeiras, a fim de impedir custos acrescidos para a segurança social, a lei deve ser geral e não contemplar situações de privilégio.

Há um problema de princípio quando se define um montante a partir do qual se concede um visto. A crise não nos deve tornar venais ao ponto de tornarmos as autorizações de residência num fator económico.

Um estado venal

Esta imagem, retirada de Idealista.pt, remete para os dois aspetos do problema dos vistos gold: autorizações de residência e negócios de imobiliário.

 

Li com interesse “Um pecado original” do Daniel Oliveira no Expresso (22-11-2014)Se eu estava com dúvidas a respeito dos vistos Gold, o Daniel convenceu-me com um mínimo de retórica.

O estado não pode discriminar financeiramente quem connosco quer residir. Ainda que se admitam restrições financeiras, a fim de impedir custos acrescidos para a segurança social, a lei deve ser geral e não contemplar situações de privilégio.

Há um problema de princípio quando se define um montante a partir do qual se concede um visto. A crise não nos deve tornar venais ao ponto de tornarmos as autorizações de residência num fator económico.

Contra quem no vespeiro da Síria?

 

Há um ponto em que estou de acordo com os conservadores David Horowitz e Robert Spencer:

Os Estados Unidos e os países democráticos não têm que apoiar todos os que se opõem a Assad só para garantir o fim deste. Muitos destes grupos prometem muito mais totalitarismo do que o atual governo sírio impõe aos seus cidadãos.

Os atos de genocídio do atual presidente assim como os do seu pai são uma faísca se os compararmos com a fogueira que os grupos sunitas radicais oferecem. O “exército islâmico” é apenas o mais poderoso de entre eles. Se os EUA bombardearam sem querer a Nusra Front em vez do Estado Islâmico, isso é grave para a oposição Síria, mas a verdade é que este grupo está ligado à Al Caida, já cometeu atos semelhantes aos do ISIL e pretende também a criação dum estado islâmico.

Enfim, todos eles são inimigos da democracia e da liberdade, tanto Hafez Assad como muitos dos seus opositores.

Realço isto, enfatizando o muito pouco que tenho em comum com esses senhores.

Contra quem no vespeiro da Síria?

 

Há um ponto em que estou de acordo com os conservadores David Horowitz e Robert Spencer:

Os Estados Unidos e os países democráticos não têm que apoiar todos os que se opõem a Assad só para garantir o fim deste. Muitos destes grupos prometem muito mais totalitarismo do que o atual governo sírio impõe aos seus cidadãos.

Os atos de genocídio do atual presidente assim como os do seu pai são uma faísca se os compararmos com a fogueira que os grupos sunitas radicais oferecem. O “exército islâmico” é apenas o mais poderoso de entre eles. Se os EUA bombardearam sem querer a Nusra Front em vez do Estado Islâmico, isso é grave para a oposição Síria, mas a verdade é que este grupo está ligado à Al Caida, já cometeu atos semelhantes aos do ISIL e pretende também a criação dum estado islâmico.

Enfim, todos eles são inimigos da democracia e da liberdade, tanto Hafez Assad como muitos dos seus opositores.

Realço isto, enfatizando o muito pouco que tenho em comum com esses senhores.

John Kerry e Hong Kong

 

 

John Kerry declarou que apoiava os manifestantes defensores do sufrágio universal em Hong Kong.

“Washington Issues Statement Backing Hong Kong’s Pro-Democracy Protesters”

Já viram alguém por cá fazer isso? Também me sinto do lado desses chineses.

Mas não sei o que pensam os meus dirigentes políticos sobre esse assunto. Talvez tenham que considerar o investimento das Three Gorges na RENE e o custo dessa declaração na dívida pública.

John Kerry e Hong Kong

 

 

John Kerry declarou que apoiava os manifestantes defensores do sufrágio universal em Hong Kong.

“Washington Issues Statement Backing Hong Kong’s Pro-Democracy Protesters”

Já viram alguém por cá fazer isso? Também me sinto do lado desses chineses.

Mas não sei o que pensam os meus dirigentes políticos sobre esse assunto. Talvez tenham que considerar o investimento das Three Gorges na RENE e o custo dessa declaração na dívida pública.

Stiglitz – pensar à esquerda

É sempre um prazer ler Stiglitz na coluna que o Expresso publica semanalmente no seu suplemento de economia. É confortante ver que há posições democráticas à esquerda sem nenhuma carga filosófica doutrinária marcada.

Stiglitz compara a política económica americana com a australiana, com uma chamada de atenção ao governo australiano para não mudar de rumo.

Algumas citações que quero aqui reter:

“O que mais conta para o crescimento no longo prazo são os investimentos no futuro – incluindo investimentos públicos cruciais na educação, tecnologia e infraesturturas. Estes investimentos garantem que todos os cidadãos, independentemente da condição económica dos pais, cumprem o potencial que têm.”

O governo australiano parece querer fazer marcha atrás, no sentido do que o que a liberalzação fez nos EUA.

“A mediana do rendimento nos EUA é hoje inferior ao que era há um quarto de século”

“Os recursos naturais de um país deveriam pertencer a todos os seus habitantes, e as rendas que estes geram deveriam constituir uma fonte de rendimento, que poderia ser usada para reduzir a desigualdade”

Concordando com Piketty, que não cita, afirma que desde o início da desregulamentação e liberalização (década de 80) o crescimento do PIB diminuiu e passou a beneficiar mais os que já têm rendimentos altos.

 

Vejo com interesse que inteletuais como Piketty e Stiglitz que não se declaram “anticapitalistas”, comunistas ou marxistas  se aproximam das propostas do Bloco de Esquerda e doutros grupos da clássica esquerda de filiação marxista.

 

Ver a coluna de Joseph Stiglitz no Expresso – Economia, 12 de Julho de 2014.

Stiglitz – pensar à esquerda

É sempre um prazer ler Stiglitz na coluna que o Expresso publica semanalmente no seu suplemento de economia. É confortante ver que há posições democráticas à esquerda sem nenhuma carga filosófica doutrinária marcada.

Stiglitz compara a política económica americana com a australiana, com uma chamada de atenção ao governo australiano para não mudar de rumo.

Algumas citações que quero aqui reter:

“O que mais conta para o crescimento no longo prazo são os investimentos no futuro – incluindo investimentos públicos cruciais na educação, tecnologia e infraesturturas. Estes investimentos garantem que todos os cidadãos, independentemente da condição económica dos pais, cumprem o potencial que têm.”

O governo australiano parece querer fazer marcha atrás, no sentido do que o que a liberalzação fez nos EUA.

“A mediana do rendimento nos EUA é hoje inferior ao que era há um quarto de século”

“Os recursos naturais de um país deveriam pertencer a todos os seus habitantes, e as rendas que estes geram deveriam constituir uma fonte de rendimento, que poderia ser usada para reduzir a desigualdade”

Concordando com Piketty, que não cita, afirma que desde o início da desregulamentação e liberalização (década de 80) o crescimento do PIB diminuiu e passou a beneficiar mais os que já têm rendimentos altos.

 

Vejo com interesse que inteletuais como Piketty e Stiglitz que não se declaram “anticapitalistas”, comunistas ou marxistas  se aproximam das propostas do Bloco de Esquerda e doutros grupos da clássica esquerda de filiação marxista.

 

Ver a coluna de Joseph Stiglitz no Expresso – Economia, 12 de Julho de 2014.

A morte do narrador em “A máquina de fazer espanhóis” (Valter Hugo Mãe)

Cheguei ao fim deste magnífico livro!

Punha-se-me seriamente a questão de como apareceria a morte do senhor Silva. Como já disse algures, “a morte é o que acontece aos outros”, por isso, o senhor Silva, que é o narrador, não nos poderia relatar a sua. Ele dá-nos de facto a narração da morte de vários dos seus colegas do asilo. Faltava a sua, mas o autor recusa-se a dá-la, pois destruiria o esquema formal da narração. Fechamos o livro e sabemos que o senhor Silva, doente e acamado, transferido para o lado do lar onde estão os que se vão embora, vai morrer em breve.

O que é maravilhoso neste livro é que as personagens se mostram inteiras, até ao seu fim. Nesta coisa de ir morrendo, há de fato um momento em que de todo deixamos de estar e outro em que ainda cá estamos inteiramente. Enfim, há casos em que isto não se passa bem assim, pessoas que deixam de estar do lado de cá, antes de estarem do lado de lá, que se arrastam longamente na terra de ninguém.

A morte é como um buraco negro de onde não sai nenhuma luz, isto é, nenhuma informação. É dos relampejos de vida dos que se aproximam do seu fim que trata este livro e não propriamente da escuridão total de onde não sai palavra nenhuma.