A crise portuguesa explicada a um Totó (eu)

Paul De Grauwe é quem melhor me explica as coisas na sua coluna do Expresso. Portugal, apesar de ter uma dívida elevada, apenas se tornou incapaz de pagar as suas obrigações por os juros terem subido – isto é, por ter-se tornado incapaz de colocar dívida a juros aceitáveis. Em consequência da crise financeira de 2008, os governos foram encorajados a aumentar o investimento público como medida anti-crise e os défices públicos elevados foram mais uma vez tolerados. Ouvimos várias vezes José Sócrates a justificar-se assim.

A crise grega agudizou a crise financeira que já vinha de 2008 e fez com que os mercados da dívida aumentassem os juros para Portugal e Irlanda, com as agências de notação financeira, três bruxas de mau vaticínio, a assustar os investidores com as suas notas.

O problema do mercado da dívida já se fazia sentir em Portugal em 2005, segundo explicou João César das Neves numa palestra da acção Educação, Cultura e Desenvolvimento promovida pelos centros de formação de professores de Caldas da Rainha e Bombarral. Mesmo assim, Sócrates prosseguiu com a expansão da despesa seguindo uma orientação europeia. Por isso, o défice salta de 3,7% em 2008, para 10,2% do PIB em 2009.

A política de austeridade tem diminuído o défice em termos absolutos, mas em relação ao PIB ele mantém-se alto (4,9% em 2012, na verdade, 6,6 se não incluirmos o encaixe da Ana), porque o PIB também tem descido (PIB desce 1,4 em 2010 e 1,8 em 2011).

Resumindo, temos que gastar menos, mas produzir mais ou, pelo menos, não diminuir a produção) o que não está a acontecer.

Noutros artigos, De Grauwe tem-me explicado que a solução é, de fato, europeia – a Europa não pode estar toda a fazer austeridade. Esta devia ser apenas para os países do sul, com défices elevados, não para os do norte. O problema dos juros devia ser resolvido com o BCE a comprar maciçamente dívida dos países com programas de austeridade de modo a dar confiança ao mercado.

Ao dizermos que a solução é europeia e ao verificarmos que ela não aparece, só podemos concluir que a chave está na política europeia. Se a Europa impõe orientações políticas aos governos que nós elegemos, então temos que ser nós também a eleger essa Europa. Temos de acabar com a Europa dos comissários e das negociatas dos países grandes a impor medidas de acordo com o peso da sua economia, dos efeitos do seu abrir ou fechar os cordões à bolsa e não de acordo com o peso eleitoral dos seus cidadãos.

O sistema financeiro tem de ser verdadeiramente unificado. Já que temos a mesma moeda, temos que ter também as mesmas instituições bancárias e a solidariedade na emissão de dívida, com uma relação clara entre orçamento comunitário e orçamento nacional. Não podemos ter países que pagam a sua dívida ao preço da chuva e outros que a pagam com o preço do seu sangue. Os países do sul e outros países médios e pequenos com problemas económicos similares podem ter um peso eleitoral favorável na eleição dum verdadeiro parlamento europeu e dum verdadeiro governo e presidência europeia.

O valor do conhecimento científico na educação

Creio que a verdade científica é o que mais importa nos conteúdos ensinados
na escola. Quando digo ciência quero dizer também rigor. A história não é
uma ciência, mas é um estudo que se baseia numa base documental e em
métodos sujeitos a discussão entre os especialistas. O professor de
história, embora seja bombardeado por discursos ideológicos e políticos a
requerer certas linhas de orientação à narrativa histórica, tem de ter a
coragem de procurar a verdade e vencer os preconceitos que nos impedem de
chegar a ela.
O facto da narrativa histórica assim como as teorias científicas estarem
sempre a mudar deve-nos levar a desvalorizar a ciência e a história que
ensinamos? Fazê-las equivaler aos mitos antigos, por exemplo, ou aos
conhecimentos da tradição oral?
A mudança nas teorias científicas é o que é mais desejado pelos
cientistas. Há sempre algum facto que escapa a uma teoria e o avanço faz-se
sempre por refutação por uma hipótese capaz de integrar factos
anteriormente inexplicados.
Por exemplo, verificou-se que a velocidade da luz não dependia do sistema
galilaico de referência, antes pelo contrário mantinha-se constante. A
velocidade dum foco de luz no interior duma carruagem de comboio devia ser
maior se considerada relativamente a quem estivesse no exterior. Seria a
luz um fenómeno específico que precisaria de uma teoria especial da
mecânica? A teoria da relatividade veio integrar na mecânica todos os
fenómenos verificados anteriormente, incluindo a luz.
A característica mais saliente desta continua mudança na verdade científica
é que ela se constitui como progresso e é desejada pelos intervenientes ao
contrário do que acontece, por exemplo, no discurso religioso.
Temos de continuar a ensinar a mecânica que herdámos de Galileu e de
Newton, pois continua a ser válida para muitos aspectos práticos da vida –
por exemplo, para calcular a velocidade de uma nave espacial a caminho de
Marte.
Os professores de ciências têm adequado o teor do seu ensino ao avanço da
ciência, na medida em que as cautelas pedagógicas o permitem. Por exemplo,
já não ensinam que há três estados da matéria. Contudo, apesar da
classificação ter mudado, aperfeiçoando esse cohecimento, a distinção entre
sólido, líquido e gasoso não passou a ser uma falsidade inútil.
A verdade científica é apenas o que podemos comprovar com experiências e
evidências sujeitas a discussão e crítica constantes.
Os que acham que a ciência tem pouco valor na educação por estar sempre a
mudar as suas verdades estão equivocados a respeito do discurso científico.
São os discursos que não mudam que devem ser severamente escrutinados a
respeito do seu valor, assim como os que estão sempre a mudar em função dos
caprichos da moda, por exemplo.
A ciência e a tecnologia são nucleares no mundo de hoje. A descoberta do
vírus da sida e das variantes da gripe que nos têm acometido provam a
necessidade do cidadão conhecer não só a visão que a ciência nos dá do
mundo, mas também do modo como a ciência e a tecnologia prosseguem. Um dos
problemas que um iluminista como eu reconhece é a distância que aumenta
constantemente entre o conhecimento do cidadão e os dispositivos
tecnológicos que utiliza no seu dia a dia. Antes qualquer curioso abria um
automóvel e identificava as peças e reconhecia os problemas de
funcionamento. Hoje em dia, está tudo blindado ao conhecimento dos
profanos. Um telemóvel é um objecto mágico. Creio que a educação tem que
fazer alguma coisa sobre este assunto.
(Não respeito o acordo ortográfico por causa da ignorância do meu
telemóvel).

O valor do conhecimento científico na educação

Creio que a verdade científica é o que mais importa nos conteúdos ensinados
na escola. Quando digo ciência quero dizer também rigor. A história não é
uma ciência, mas é um estudo que se baseia numa base documental e em
métodos sujeitos a discussão entre os especialistas. O professor de
história, embora seja bombardeado por discursos ideológicos e políticos a
requerer certas linhas de orientação à narrativa histórica, tem de ter a
coragem de procurar a verdade e vencer os preconceitos que nos impedem de
chegar a ela.
O facto da narrativa histórica assim como as teorias científicas estarem
sempre a mudar deve-nos levar a desvalorizar a ciência e a história que
ensinamos? Fazê-las equivaler aos mitos antigos, por exemplo, ou aos
conhecimentos da tradição oral?
A mudança nas teorias científicas é o que é mais desejado pelos
cientistas. Há sempre algum facto que escapa a uma teoria e o avanço faz-se
sempre por refutação por uma hipótese capaz de integrar factos
anteriormente inexplicados.
Por exemplo, verificou-se que a velocidade da luz não dependia do sistema
galilaico de referência, antes pelo contrário mantinha-se constante. A
velocidade dum foco de luz no interior duma carruagem de comboio devia ser
maior se considerada relativamente a quem estivesse no exterior. Seria a
luz um fenómeno específico que precisaria de uma teoria especial da
mecânica? A teoria da relatividade veio integrar na mecânica todos os
fenómenos verificados anteriormente, incluindo a luz.
A característica mais saliente desta continua mudança na verdade científica
é que ela se constitui como progresso e é desejada pelos intervenientes ao
contrário do que acontece, por exemplo, no discurso religioso.
Temos de continuar a ensinar a mecânica que herdámos de Galileu e de
Newton, pois continua a ser válida para muitos aspectos práticos da vida –
por exemplo, para calcular a velocidade de uma nave espacial a caminho de
Marte.
Os professores de ciências têm adequado o teor do seu ensino ao avanço da
ciência, na medida em que as cautelas pedagógicas o permitem. Por exemplo,
já não ensinam que há três estados da matéria. Contudo, apesar da
classificação ter mudado, aperfeiçoando esse cohecimento, a distinção entre
sólido, líquido e gasoso não passou a ser uma falsidade inútil.
A verdade científica é apenas o que podemos comprovar com experiências e
evidências sujeitas a discussão e crítica constantes.
Os que acham que a ciência tem pouco valor na educação por estar sempre a
mudar as suas verdades estão equivocados a respeito do discurso científico.
São os discursos que não mudam que devem ser severamente escrutinados a
respeito do seu valor, assim como os que estão sempre a mudar em função dos
caprichos da moda, por exemplo.
A ciência e a tecnologia são nucleares no mundo de hoje. A descoberta do
vírus da sida e das variantes da gripe que nos têm acometido provam a
necessidade do cidadão conhecer não só a visão que a ciência nos dá do
mundo, mas também do modo como a ciência e a tecnologia prosseguem. Um dos
problemas que um iluminista como eu reconhece é a distância que aumenta
constantemente entre o conhecimento do cidadão e os dispositivos
tecnológicos que utiliza no seu dia a dia. Antes qualquer curioso abria um
automóvel e identificava as peças e reconhecia os problemas de
funcionamento. Hoje em dia, está tudo blindado ao conhecimento dos
profanos. Um telemóvel é um objecto mágico. Creio que a educação tem que
fazer alguma coisa sobre este assunto.
(Não respeito o acordo ortográfico por causa da ignorância do meu
telemóvel).

Grande Jesus!

Jorge Jesus, tal como outras personalidades do mundo do futebol, é
frequentemente observado nos seus deslizes gramaticais.
Em resposta a essa dificuldade, que o poderia inibir de falar a plateias
universitárias, declarou Jesus que é melhor dizer coisas certas com as
palavras erradas do que dizer coisas erradas com as palavras certas.

Grande Jesus!

Jorge Jesus, tal como outras personalidades do mundo do futebol, é
frequentemente observado nos seus deslizes gramaticais.
Em resposta a essa dificuldade, que o poderia inibir de falar a plateias
universitárias, declarou Jesus que é melhor dizer coisas certas com as
palavras erradas do que dizer coisas erradas com as palavras certas.

E você, conhece o Portugal desconhecido?

É das coisas que eu mais gosto de ver na TV. Antes dava só na RTP2, mas agora parece que todas as TVs lhe tomaram o gosto. E, quando nós que não percebemos nada de horários da programação, esperamos, numa hora que não é nobre, que apareça mais uma novela, portuguesa ou brasileira, eis que nos apresentam o Portugal desconhecido!

Eu já o vi tantas vezes que já o sei de cor. Por exemplo, o castelo de Penela fica lá, assim como o entrudo, a matança do porco e uns diabinhos de Trás-os-Montes. Tudo coisas do Portugal desconhecido.

Creio que já conheço tão bem o Portugal desconhecido que não preciso de lá ir. Para quê, se o tenho na TV?

Boa tarde

– Então, muito boa tarde!

– Você deve estar a brincar comigo!

– Desculpe…

– Também não é caso para pedir desculpa. Mas você não estava a falar a sério, pois não?

– Mas… o que é que… Ah não! Estava apenas a desejar-lhe um boa tarde.

– Bem percebi que não estava a dizer que a tarde era boa, mas convenhamos que abusa. Acha mesmo que com o seu desejo consegue afastar estas nuvens negras e acabar com este frio, esta chuva horrorosa, esta humidade que nos penetra os ossos? 

– Bem, sabe, é uma maneira de dizer…

– Se não consegue fazer nada, então cale-se. Escusa de criar falsas expetativas.

Boa tarde

– Então, muito boa tarde!

– Você deve estar a brincar comigo!

– Desculpe…

– Também não é caso para pedir desculpa. Mas você não estava a falar a sério, pois não?

– Mas… o que é que… Ah não! Estava apenas a desejar-lhe um boa tarde.

– Bem percebi que não estava a dizer que a tarde era boa, mas convenhamos que abusa. Acha mesmo que com o seu desejo consegue afastar estas nuvens negras e acabar com este frio, esta chuva horrorosa, esta humidade que nos penetra os ossos? 

– Bem, sabe, é uma maneira de dizer…

– Se não consegue fazer nada, então cale-se. Escusa de criar falsas expetativas.

Teimosia

Quero que o mundo seja como eu penso que ele é! Quero que o mundo seja como eu penso que ele é! Quero que o mundo seja como eu penso que ele é!

Quero que o mundo seja como eu penso que ele é! Quero que o mundo seja como eu penso que ele é! Quero que o mundo seja como eu penso que ele é! Quero que o mundo seja como eu penso que ele é! Quero que o mundo seja como eu penso que ele é! Quero que o mundo seja como eu penso que ele é!

Quero que o mundo seja como eu penso que ele é!

 

E não é que é mesmo?!

Teimosia

Quero que o mundo seja como eu penso que ele é! Quero que o mundo seja como eu penso que ele é! Quero que o mundo seja como eu penso que ele é!

Quero que o mundo seja como eu penso que ele é! Quero que o mundo seja como eu penso que ele é! Quero que o mundo seja como eu penso que ele é! Quero que o mundo seja como eu penso que ele é! Quero que o mundo seja como eu penso que ele é! Quero que o mundo seja como eu penso que ele é!

Quero que o mundo seja como eu penso que ele é!

 

E não é que é mesmo?!