Krugman sobre os protestos de Wall Street

Agrada-me ver Paul Krugman a fazer o contraponto entre o Tea Party e o Occupy Wall Street nas páginas do New York Times (http://www.nytimes.com/2011/10/10/opinion/panic-of-the-plutocrats.html?_r=1&WT.mc_id=NYT-E-I-NYT-E-AT-1012-L23). Mostra como as críticas endereçadas por gente da área dos republicanos aos protestos de Wall Streeet baseia-se nos interesses de uma ínfima parte da população. Trata-se de facto de “plutocratas em pânico”. Pelo contrário, os acontecimentos relacionados com o Tea Party tiveram aspectos de desordem e violência maiores do que o Occupy… onde Krugman assinala alguma sobrerreacção policial.

Que temem então os mais ricos de entre os ricos? Que algumas das reivindicações dos revoltados façam o seu caminho. Hiperreagiram, por exemplo, quando lhes foi exigido pela “Volcker rule” que os bancos que beneficiassem de garantias do estado não pudessem envolver-se em actividades especulativas de alto risco.

Krugman mostra muito clareza na distinção que faz entre os que enriquecem na actividade económica e na inovação tecnológica como Steve Jobs e os que vivem de esquemas financeiros altamente complexos que têm apenas como fim captar fluxos de capital para as suas contas sem benefícios para mais ninguém a não ser eles próprios. Ora, é esta gente de Wall Street que consegue, apesar da sua imensa riqueza, pagar menos impostos do que profissionais da classe média e que se encontra em pânico com os indignados que gritam à sua volta.

Não há dúvida que a relação entre a economia real e a actividade financeira ganhou uma grande atualidade. É bom lermos uma voz autorizada como a de Krugman a nos dizer isto mesmo para nos podermos rir dos banqueiros que querem dar lições de moral aos seus concidadãos como se as fontes da sua riqueza estivesse ao abrigo de qualquer reparo.

Krugman sobre os protestos de Wall Street

Agrada-me ver Paul Krugman a fazer o contraponto entre o Tea Party e o Occupy Wall Street nas páginas do New York Times (http://www.nytimes.com/2011/10/10/opinion/panic-of-the-plutocrats.html?_r=1&WT.mc_id=NYT-E-I-NYT-E-AT-1012-L23). Mostra como as críticas endereçadas por gente da área dos republicanos aos protestos de Wall Streeet baseia-se nos interesses de uma ínfima parte da população. Trata-se de facto de “plutocratas em pânico”. Pelo contrário, os acontecimentos relacionados com o Tea Party tiveram aspectos de desordem e violência maiores do que o Occupy… onde Krugman assinala alguma sobrerreacção policial.

Que temem então os mais ricos de entre os ricos? Que algumas das reivindicações dos revoltados façam o seu caminho. Hiperreagiram, por exemplo, quando lhes foi exigido pela “Volcker rule” que os bancos que beneficiassem de garantias do estado não pudessem envolver-se em actividades especulativas de alto risco.

Krugman mostra muito clareza na distinção que faz entre os que enriquecem na actividade económica e na inovação tecnológica como Steve Jobs e os que vivem de esquemas financeiros altamente complexos que têm apenas como fim captar fluxos de capital para as suas contas sem benefícios para mais ninguém a não ser eles próprios. Ora, é esta gente de Wall Street que consegue, apesar da sua imensa riqueza, pagar menos impostos do que profissionais da classe média e que se encontra em pânico com os indignados que gritam à sua volta.

Não há dúvida que a relação entre a economia real e a actividade financeira ganhou uma grande atualidade. É bom lermos uma voz autorizada como a de Krugman a nos dizer isto mesmo para nos podermos rir dos banqueiros que querem dar lições de moral aos seus concidadãos como se as fontes da sua riqueza estivesse ao abrigo de qualquer reparo.

Vendavais esfumados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No romance Um jantar a mais de Ismail Kadaré (Quetzal, 2002), a propósito de um escândalo sexual, aparece a seguinte notável comparação:

“E assim como um vendaval, que deixa a rodopiar atrás de si alguns destroços, também sobre esse assunto apenas algumas palavras equívocas pairavam ainda no ar, tornando-se cada vez mais raras” (p. 66)

Na história, ao fim e ao cabo, só há vendavais. Alguns deles, contudo, demoram muito tempo a esfumar-se. Quando isso acontece, aqueles que se acham no centro do furacão sofrem uma grande deceção. Descobrem que não se encontram em nenhuma charneira da história, apenas em algo que se esfuma sem justificar nem os sacrifícios nem os riscos consentidos. Apenas um balão que se vai esvaziando, ao ponto de, muito pouco tempo depois, quase ninguém se lembrar do acontecido, nem da perspetiva que justificava a ação, o denodo e a combatividade do tempo vivido.

Formação de turmas

Uma turma é um grupo de trabalho constituído por alunos que se encontram no mesmo nível. Os professores têm como certos os pontos de partida. A simples menção do ano lectivo a que a turma corresponde bastaria para assegurar que o ano curricular anterior era assunto arrumado. Contudo, nos sistemas de ensino dos países desenvolvidos, concluiu-se que a reprovação é uma má medida pedagógica e os desníveis dentro de grupos do mesmo ano lectivo têm aumentado.

Como contornar esta situação, eis o problema.

Num folheto de divulgação da St Peters RC High School de Manchester diz-se a propósito da entrada no year 7:

“When puplis begin in year 7 they are placed in broad ability groups based on KS2 SATs levels and reports from their primary schools”

Os KS2 SAT são os testes oficiais aplicados a todos os alunos no final do “key stage 2” que corresponde ao nosso 2º ciclo. Apesar de todos terem completado o ensino primário (que vai até ao 6º ano), há que diferenciá-los de acordo com o desempenho porque isso contribui para que aprendam o que precisam e que não acumulem lacunas. Estão todos no 7º ano mas em grupos diferentes, de acordo com as reais aprendizagens já realizadas.

Parece-me uma boa estratégia da St Peters de Manchester.

Formação de turmas

Uma turma é um grupo de trabalho constituído por alunos que se encontram no mesmo nível. Os professores têm como certos os pontos de partida. A simples menção do ano lectivo a que a turma corresponde bastaria para assegurar que o ano curricular anterior era assunto arrumado. Contudo, nos sistemas de ensino dos países desenvolvidos, concluiu-se que a reprovação é uma má medida pedagógica e os desníveis dentro de grupos do mesmo ano lectivo têm aumentado.

Como contornar esta situação, eis o problema.

Num folheto de divulgação da St Peters RC High School de Manchester diz-se a propósito da entrada no year 7:

“When puplis begin in year 7 they are placed in broad ability groups based on KS2 SATs levels and reports from their primary schools”

Os KS2 SAT são os testes oficiais aplicados a todos os alunos no final do “key stage 2” que corresponde ao nosso 2º ciclo. Apesar de todos terem completado o ensino primário (que vai até ao 6º ano), há que diferenciá-los de acordo com o desempenho porque isso contribui para que aprendam o que precisam e que não acumulem lacunas. Estão todos no 7º ano mas em grupos diferentes, de acordo com as reais aprendizagens já realizadas.

Parece-me uma boa estratégia da St Peters de Manchester.

Rebeldes, revolucionários ou ladrões?

 

São simplesmente ladrões ou realmente revolucionários ou rebeldes?

Habituámo-nos a ver em protestos, por todo o lado, indivíduos de cara tapada que se diferenciam dos vulgares manifestantes pela atitude e determinação na ação que tomam.

Alguns são profissionais dos movimentos anti-globalização ou anti-capitalistas que se deslocam de evento em evento, para se misturarem com os manifestantes locais e partir a loiça toda.

Nos recentes acontecimentos na Inglaterra terá acontecido isso?

A verdade é que houve protestos e grandes manifestações contra a política de cortes na despesa pública do governo conservador.

Sabe-se que esses cortes atingiram gravemente a juventude da periferia. Muita da acção violenta parece constituir inquestionavelmente uma revolta de jovens que não têm qualquer solução que os integre no sistema económico e social. Não têm, contudo, nenhum movimento político que lhes dê cobertura e que os oriente numa perspectiva integrada de luta política e social. Na verdade, tudo o que fazem não serve para atrair outros para a sua causa.

Foi então uma explosão social sem controlo?

Na imprensa, nota-se uma tendência para associar estes jovens desordeiros com um genérico anarquismo.

Mas aqueles que se auto-consideram “anarquistas” rejeitam completamente esta responsabilidade. Por exemplo, a Anarchist Federation repudia qualquer opção violenta na luta contra os cortes nas despesas sociais do governo conservador. Pois apenas aceita grandes ações de massas com vista à conquista da opinião pública num movimento contra o governo e não ataques a pessoas e propriedades (cf. Freedom online), mas acusam os trotsquistas e marxistas de se fazerem passar por anarquistas e se infiltrarem nos seus movimentos. O Socialist Party, partido de esquerda de orientação trotsquista, também repudia a ação dos “rioters, looters e arsonists”, isto é os que atacam roubam e incendeiam, mas analisam sociologicamente o evento e apontam os dedos às políticas de direita, liberais e capitalistas que levaram os jovens a cometer esses crimes, ao deixá-los sem emprego, sem apoios e sem qualquer orientação social. Reconhecem a falta de consciência de pertença à classe trabalhadora que os leva a essas atitudes (cf. Con-dems to-blame for anger of youth mass trade union led workers response needed).

Contudo, há grupos anarquistas e marxistas que optam claramente pela violência como forma de ação. Muitos serão os tais que vão de cimeira em cimeira internacional manifestar-se violentamente contra a globalização. Num blogue, por exemplo, encontro uma descrição na primeira pessoa de um ataque a uma esquadra em Birmingham (Attack on Bristol police claimed by anarchists).

Portanto, há com certeza, líderes com uma orientação anarquista violenta que organizam os eventos através de telemóvel, de onde a referência a Blackberries. Atcam lojas, pessoas que consideram bem instaladas no sistema que criticam e, especialmente, organizações conotadas com o capitalismo – veja-se o ataque por 1000 activistas contra a Fortnum & Mason).

Há, pois, um discurso anti-capitalista de fundo nos motivos dos “rioters” ingleses. A essas ações junta-se o puro roubo de bens, o saque das lojas que aproveitam diretamente a quem os faz. Essa imagem domina e torna politicamente irrelevante no sentido em que não conduz a uma opção consistente de uma esquerda revolucionária.

Os comentadores de direita acusam o longo periodo trabalhista como o responsável por esta vaga de jovens dependentes da segurança social, formados numa escola inútil que não lhes deu qualquer perspectiva de futuro.

Os comentadores de esquerda acusam as políticas neo-liberais como causadoras desta revolta.

O Economist, num registo áudio na sua página conclui que, com estes acontecimentos, são as ideias mais conservadoras a propósito da segurança e dos apoios sociais que vencem (Anarchy in the UK).

A crise económica e social na Europa está a ser demasiado cara para os mais fragilizados socialmente. Há que procurar um equilíbrio entre apoios sociais e responsabilidade individual. Que a hora agora é de repressão, não há a menor dúvida. Mas depois há que equacionar tudo. Os trabalhistas ou outros no seu lugar terão que fazer a sua parte na ação política contra o governo conservador e ocupar o lugar desse discurso anti- que não leva a lado nenhum.

Rebeldes, revolucionários ou ladrões?

 

São simplesmente ladrões ou realmente revolucionários ou rebeldes?

Habituámo-nos a ver em protestos, por todo o lado, indivíduos de cara tapada que se diferenciam dos vulgares manifestantes pela atitude e determinação na ação que tomam.

Alguns são profissionais dos movimentos anti-globalização ou anti-capitalistas que se deslocam de evento em evento, para se misturarem com os manifestantes locais e partir a loiça toda.

Nos recentes acontecimentos na Inglaterra terá acontecido isso?

A verdade é que houve protestos e grandes manifestações contra a política de cortes na despesa pública do governo conservador.

Sabe-se que esses cortes atingiram gravemente a juventude da periferia. Muita da acção violenta parece constituir inquestionavelmente uma revolta de jovens que não têm qualquer solução que os integre no sistema económico e social. Não têm, contudo, nenhum movimento político que lhes dê cobertura e que os oriente numa perspectiva integrada de luta política e social. Na verdade, tudo o que fazem não serve para atrair outros para a sua causa.

Foi então uma explosão social sem controlo?

Na imprensa, nota-se uma tendência para associar estes jovens desordeiros com um genérico anarquismo.

Mas aqueles que se auto-consideram “anarquistas” rejeitam completamente esta responsabilidade. Por exemplo, a Anarchist Federation repudia qualquer opção violenta na luta contra os cortes nas despesas sociais do governo conservador. Pois apenas aceita grandes ações de massas com vista à conquista da opinião pública num movimento contra o governo e não ataques a pessoas e propriedades (cf. Freedom online), mas acusam os trotsquistas e marxistas de se fazerem passar por anarquistas e se infiltrarem nos seus movimentos. O Socialist Party, partido de esquerda de orientação trotsquista, também repudia a ação dos “rioters, looters e arsonists”, isto é os que atacam roubam e incendeiam, mas analisam sociologicamente o evento e apontam os dedos às políticas de direita, liberais e capitalistas que levaram os jovens a cometer esses crimes, ao deixá-los sem emprego, sem apoios e sem qualquer orientação social. Reconhecem a falta de consciência de pertença à classe trabalhadora que os leva a essas atitudes (cf. Con-dems to-blame for anger of youth mass trade union led workers response needed).

Contudo, há grupos anarquistas e marxistas que optam claramente pela violência como forma de ação. Muitos serão os tais que vão de cimeira em cimeira internacional manifestar-se violentamente contra a globalização. Num blogue, por exemplo, encontro uma descrição na primeira pessoa de um ataque a uma esquadra em Birmingham (Attack on Bristol police claimed by anarchists).

Portanto, há com certeza, líderes com uma orientação anarquista violenta que organizam os eventos através de telemóvel, de onde a referência a Blackberries. Atcam lojas, pessoas que consideram bem instaladas no sistema que criticam e, especialmente, organizações conotadas com o capitalismo – veja-se o ataque por 1000 activistas contra a Fortnum & Mason).

Há, pois, um discurso anti-capitalista de fundo nos motivos dos “rioters” ingleses. A essas ações junta-se o puro roubo de bens, o saque das lojas que aproveitam diretamente a quem os faz. Essa imagem domina e torna politicamente irrelevante no sentido em que não conduz a uma opção consistente de uma esquerda revolucionária.

Os comentadores de direita acusam o longo periodo trabalhista como o responsável por esta vaga de jovens dependentes da segurança social, formados numa escola inútil que não lhes deu qualquer perspectiva de futuro.

Os comentadores de esquerda acusam as políticas neo-liberais como causadoras desta revolta.

O Economist, num registo áudio na sua página conclui que, com estes acontecimentos, são as ideias mais conservadoras a propósito da segurança e dos apoios sociais que vencem (Anarchy in the UK).

A crise económica e social na Europa está a ser demasiado cara para os mais fragilizados socialmente. Há que procurar um equilíbrio entre apoios sociais e responsabilidade individual. Que a hora agora é de repressão, não há a menor dúvida. Mas depois há que equacionar tudo. Os trabalhistas ou outros no seu lugar terão que fazer a sua parte na ação política contra o governo conservador e ocupar o lugar desse discurso anti- que não leva a lado nenhum.

De novo: outros predicativos do sujeito?

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Continuo com o tema do post anterior.

 

  1. O João chegou mais gordo .
  2. O Pedro saiu zangado .
  3. A Maria chegou triste .
  4. O António nasceu português .
  5. Ele começou o trabalho muito contente .

Parece-me que os modificadores do verbo acima assinalados comportam-se da mesma maneira que os casos típicos de predicativos do sujeito:

– predicam algo acerca do sujeito.

– ligam-se ao sujeito por um verbo.

Reconhecendo esse fato, não poderíamos admitir uma classe de verbos que permite modificadores que se reportam ao sujeito? Assim o predicativo do sujeito tanto poderia ser um complemento, no caso de verbos copulativos como um modificador no caso de outros verbos.

Acontece algo similar com grupos adverbiais e preposicionais que se comportam ora como modificadores ora como complementos. Os grupos adjetivais não aparecem no Dicionário Terminológico como modificadores do verbo, motivo pelo qual ficamos com aqueles casos em terra de ninguém.

Podemos averiguar se se trata realmente de adjectivos com função adverbial, substituindo-os por advérbios que tenham o mesmo sentido. Ao tentar fazê-lo, verificamos que não conseguimos encontrar advérbios aceitáveis (talvez só “tristemente”). É que não há de facto uma maneira gorda de chegar ou um modo português de nascer. O que me parece é que co-ocorrem na frase o estado expresso pelo adjectivo e o evento expresso pelo verbo.

O sentido das 5 frases poderia ser assim parafraseado:

  1. Quando o João chegou, estava mais gordo .
  2. Quando o Pedro saiu, estava zangado .
  3. Quando a Maria chegou, estava triste .
  4. Quando nasceu, o António era português .
  5. Quando começou o trabalho, ele estava muito contente .

Estas construções com subordinadas são de facto dispensáveis porque, aos verbos em causa, basta acrescentar os grupos adjectivais.

Predicativo do sujeito

É perturbante que o dicionário terminológico, que eu considero um bom instrumento de trabalho, não responda eficazmente a algumas dúvidas elementares colocadas pelas suas definições. O caso que tenho entre mãos é o “predicativo do sujeito” que é assim definido:

“Função sintáctica desempenhada pelo constituinte que ocorre em frases com verbos copulativos, que predica algo acerca do sujeito.”

A definição de verbos copulativos é lamentavelmente circular, isto é, leva-nos de novo à entrada de “predicativo do sujeito”, facto que foi devidamente assinalado no momento da discussão da Tlebs.

Verbo que ocorre numa frase em que existe um constituinte com a função sintáctica de sujeito e outro com a função sintáctica de predicativo do sujeito.”

Como são interdependentes, ficamos sem saber o que é um e o que é o outro.

É neste enredado que aparecem as dúvidas. No Guião de Implementação do Programa de Conhecimento Explícito da Língua, aparecem, numa das actividades propostas para o assunto do predicativo do sujeito, as seguintes frases:

  • O Pedro saiu zangado.
  • A Maria chegou triste.
  • O António nasceu português.

São frases cujos predicados eram designados por verbo-nominais por conterem também um predicativo do sujeito. Veja um exemplo desta classificação numa entrada da Wikipedia: Predicado (gramática).

Ora, no dicionário não aparece nenhuma solução para designar correctamente a função sintática dos constituintes sublinhados nas frases acima. Como vimos, a classificação de predicativo contradiz as definições do dicionário, pois os verbos das três frases não são copulativos.

Não obtenho uma resposta assertiva e clara por parte dos autores do dicionário: qual é a função sintáctica desses adjectivos.

A minha resposta é: predicativo do sujeito! Mas fico perturbado com a contradição com o dicionário e com a consistência da actividade do GIP que foi precisamente buscar estes casos para mostrar ao aluno que estas frases não têm predicativo do sujeito, pois os grupos adjectivais podem ser excluídos sem que a frase fique agramatical.

Ai! Que moodys!

 

(Imagem extraída de goldenbroker.com)

 

Os ratings das agências financeiras estão a pôr em causa o orgulho nacional dos cidadãos dos países que descem na escala que classifica a sua dívida. Como se pode ver, os EUA e o seu presidente não escapam a esta mágoa.

Dívida dos EUA: chegou a «altura de decidir» | agência financeira

Vale a pena pensar um pouco sobre o valor destas classificações. No caso em apreço, o que a Standard & Poors está a fazer é apenas a pressionar os republicanos para se entenderem com os democratas. Eles só se importam com a sáude financeira do Estado no sentido em que a dívida mantenha o mesmo grau de segurança para os investidores. Se os EUA entrarem em incumprimento, os títulos de dívida serão menos atractivos. A Standard & Poors recebe dinheiro do governo para lhe dar essa classificação, mas se ela for menos credível, os investidores olharão para as notas dadas por outras agências. Por isso, todas se adiantam com novas classificações, logo o cenário político e financeiro mude.

O que está aqui em jogo é um negócio com a credibilidade dos que se endividam, no que respeita aos países.

Deve o nosso orgulho nacional ficar magoado, humilhado, decepcionado, por causa disso?

Connosco, aconteceu tudo muito rápido. No princípio deste ano, ainda estávamos no A3, embora já longe do AAA dos países do pelotão da frente da Europa. Quando a Moodys mudou o nosso “rating” para perto de lixo, os nossos pastéis de Belém, o sol, o mar e a areia das nossas praias, as nossas empresas de alta tecnologia e a nossa magnífica culinária continuaram tão boas como antes. O que aconteceu foi apenas que a nossa capacidade de endividamento diminuiu, coisa para que, há muito, nos alerta, a nossa Cassandra de serviço que é o Professor Medina Carreira.

Ora na justificação da nota, a Moodys diz o que o Bloco de Esquerda pede: que existe o perigo de restruturação da dívida.