Como se fazem turmas

 

“Resumindo: o aluno entra para a escola, realiza testes, os quais permitem identificar quais as áreas de excelência e as áreas de desenvolvimento do aluno. Em função dos resultados desses testes o aluno é colocado numa turma onde o nível de desempenho dos seus colegas é semelhante, sendo-lhe igualmente atribuído um Tutor, ou “Director de Turma”. O Tutor vai então discutir com o aluno, a sua família e outros profissionais (Segurança Social, Psicólogo, etc…) quais os objectivos que aquele aluno se propõe a atingir.”

 

A avaliação contínua dos alunos” no magnífico blogue do João André, Como dar aulas em Inglaterra

 

Por aqui, continuamos presos a supostos anos formais que não correspondem a grande coisa em termos de conhecimento e competências efetivas em vez de nos cingirmos ao que interessa realmente: grupos de idade e de conhecimentos efetivos viáveis.

Isto é, colocamos alunos em turmas correspondentes ao seu ano formal e, depois, multiplicamos os apoios, isto é, aumentamos o investimento para compensar uma má decisão pedagógica. Em vez de simplesmente

“discutir com o aluno, a sua família e outros profissionais (Segurança Social, Psicólogo, etc…) quais os objectivos que aquele aluno se propõe a atingir

Isso é mesmo impensável entre nós. A nossa escola é estatal, republicana, e toma todos como iguais, mesmo que sejam diferentes. Todos a passar pelas mesmas provas, os mesmos conteúdos. Se não sabem, reprovam, mesmo que antecipadamente já soubéssemos que esse seria o resultado, face ao programa oficial. Fazemos mais: generosamente, entregamo-los ao ano seguinte quando já sabemos que nada resulta. E a comédia continuará, com chumbos ou facilitismo…

Como se fazem turmas

 

“Resumindo: o aluno entra para a escola, realiza testes, os quais permitem identificar quais as áreas de excelência e as áreas de desenvolvimento do aluno. Em função dos resultados desses testes o aluno é colocado numa turma onde o nível de desempenho dos seus colegas é semelhante, sendo-lhe igualmente atribuído um Tutor, ou “Director de Turma”. O Tutor vai então discutir com o aluno, a sua família e outros profissionais (Segurança Social, Psicólogo, etc…) quais os objectivos que aquele aluno se propõe a atingir.”

 

A avaliação contínua dos alunos” no magnífico blogue do João André, Como dar aulas em Inglaterra

 

Por aqui, continuamos presos a supostos anos formais que não correspondem a grande coisa em termos de conhecimento e competências efetivas em vez de nos cingirmos ao que interessa realmente: grupos de idade e de conhecimentos efetivos viáveis.

Isto é, colocamos alunos em turmas correspondentes ao seu ano formal e, depois, multiplicamos os apoios, isto é, aumentamos o investimento para compensar uma má decisão pedagógica. Em vez de simplesmente

“discutir com o aluno, a sua família e outros profissionais (Segurança Social, Psicólogo, etc…) quais os objectivos que aquele aluno se propõe a atingir

Isso é mesmo impensável entre nós. A nossa escola é estatal, republicana, e toma todos como iguais, mesmo que sejam diferentes. Todos a passar pelas mesmas provas, os mesmos conteúdos. Se não sabem, reprovam, mesmo que antecipadamente já soubéssemos que esse seria o resultado, face ao programa oficial. Fazemos mais: generosamente, entregamo-los ao ano seguinte quando já sabemos que nada resulta. E a comédia continuará, com chumbos ou facilitismo…

Wir Lehrer gegen die Rechtschreibreform

Parece que é impossível fazer uma reforma ortográfica sem uma grande polémica e sem muita oposição. Os que divergem da mudança não sugerem nunca mudanças em sentido contrário, apenas se opõem a mudar os seus hábitos ortográficos. Tudo se resume ao seguinte – como está é que está bem. A escrita das palavras é uma aquisição feita em tenra idade. É uma norma cultural. A forma escrita da palavra, assim como as regras que aplicamos com todas as racionalizações que explicam as exceções tornam-se coisas absolutas que não queremos ver alteradas nem tidas à conta de meros arbítrios.

Na Reforma Ortográfica dos anos 90 na Alemanha, houve um estado – Schleswig Holstein – que resolveu desobedecer e não aderir ao acordo que envolvia três países – Alemanha, Suíça e Áustria.

Desenvolveu-se por toda a Alemanha o movimento “Wir Lehrer gegen die Rechtschreibreform” – Nós professores contra a reforma ortográfica.

Contudo, a nova ortografia aí está. Eu mal sei como era a anterior, pois já me basta a difiuldade do idioma para me preocupar com a história recente da sua escrita.

Fui alertado para este facto particular pela obra Spelling and society: the culture and politics of orthography around the world.

 

 

 

Wir Lehrer gegen die Rechtschreibreform

Parece que é impossível fazer uma reforma ortográfica sem uma grande polémica e sem muita oposição. Os que divergem da mudança não sugerem nunca mudanças em sentido contrário, apenas se opõem a mudar os seus hábitos ortográficos. Tudo se resume ao seguinte – como está é que está bem. A escrita das palavras é uma aquisição feita em tenra idade. É uma norma cultural. A forma escrita da palavra, assim como as regras que aplicamos com todas as racionalizações que explicam as exceções tornam-se coisas absolutas que não queremos ver alteradas nem tidas à conta de meros arbítrios.

Na Reforma Ortográfica dos anos 90 na Alemanha, houve um estado – Schleswig Holstein – que resolveu desobedecer e não aderir ao acordo que envolvia três países – Alemanha, Suíça e Áustria.

Desenvolveu-se por toda a Alemanha o movimento “Wir Lehrer gegen die Rechtschreibreform” – Nós professores contra a reforma ortográfica.

Contudo, a nova ortografia aí está. Eu mal sei como era a anterior, pois já me basta a difiuldade do idioma para me preocupar com a história recente da sua escrita.

Fui alertado para este facto particular pela obra Spelling and society: the culture and politics of orthography around the world.

 

 

 

Cruzada contra o acordo

A recente intervenção de Graça Moura como diretor do CCB levou-me a republicar este artigo.

 

Basicamente, acho que a mudança da ortorafia não tem nenhuma das consequências ditas gravosas para a língua portuguesa que Graça Moura anuncia. Em segundo lugar, a ortografia não é um sistema fechado, feito de regras universais. Não há nenhum princípio universal violado no novo acordo. A ortografia sempre foi uma manta de retalhos. Este acordo não a melhora nem a piora. Apenas a unifica um pouco mais. Esta é a opinião da maioria dos dos estudiosos da língua portuguesa que conheço, entre os quais, Malaca Casteleiro.

 

Vasco Graça Moura e Maria do Carmo Vieira encabeçam ao que parece um movimento de resistência contra o novo acordo ortográfico.

Num vídeo, aqui no Sapo, Maria do Carmo faz afirmações fáceis e sem qualquer fundamento.

Basicamente, temos que nos unir contra os políticos porque a língua é de todos e não só dos políticos e linguistas, pois a língua desenvolve-se muito lentamente e não por ordem política.

Tudo errado, meus caros! A verdade é que a língua portuguesa é uma realidade política desde o princípio. A variante escrita existe e impôs-se com a criação de um estado nacional, desde o rei D. Dinis até ao nosso tempo. A escrita que temos hoje resulta dos acordos ortográficos do século XX.

Quer o leitor voltar a escrever “mãi”? Olhe que José Saramago aprendeu a escrever assim: “mãi”. Quer saber a minha opinião? Tanto faz! Desde que nos punhamos todos de acordo sobre a maneira como escrever a nossa língua. Ora um acordo é coisa que só pode ser feita pelos políticos.

Há alguma razão para os brasileiros e os portugueses deixarem que as normas ortográficas divirjam cada vez mais? Já leu Jorge Amado, Machado de Assis ou Lins do Rego? Sentiu alguma dificuldade? Há algum brasileirismo ortográfico que o perturbou na sua leitura? A mim, não! Porque sou tolerante a essas pequenas diferenças superficiais de que estes senhores fazem um cavalo de batalha. Injustos, ainda por cima, porque os brasileiros cedem também em muita coisa para se porem de acordo connosco.

Veja o sucesso das novelas brasileiras em Portugal. Sente que a sua língua está a ser agredida, que eles falam mal, ou, antes, que falam muito bem e que nós os compreendemos sem qualquer dificuldade?

Então é porque temos a mesma língua falada! E as diferenças dialectais dentro do Brasil e dentro de Portugal são maiores do que as diferenças entre as normas oficiais portuguesa e brasileira. Ah não acredita? Então divirta-se com o seguinte: compare um falante de uma telenovela com uma gravação de um falante de uma variante açoreana. Tem aí a evidência do que eu digo: quando aparece um açoreano ou um madeirense na televisão, por vezes, a RTP põe legenda, mas não precisa de o fazer nas telenovelas.

A minha opinião sobre os resistentes é a seguinte: estão apenas a defender a sua maneira de escrever que é filha de acordos ortográficos do passado! Não estão a defender nenhuma pureza etimológica, porque por esse caminho teriam que rever muita coisa na ortografia actual.

Chamo a atenção para o facto de que este artigo não ter sido escrito de acordo com a nova ortografia.

Veja as declarações da Maria do Carmo Vieira:

 

O humano e o divino

Fez Deus o homem para que ele lhe descobrisse os limites. Deus sentia-se só na sua omnipotência. Tanta era que Ele ignorava o seu fim e o seu princípio.
O homem veio e mostrou-lhe os erros da criação.
E Deus viu que era bom. E por onde errava o homem já Deus errara primeiro.
Por isso, escreve Holderlin que só compreende o divino quem tem um pouco dele.

Devem os nazis ter os mesmos direitos que os outros partidos?

Esta é a questão que está em cima da mesa no debate entre a CDU e o SPD, a propósito da ilegalização do NPD, o partido que está relacionado com os neonazis implicados na violência racista dos primeiros anos do milénio.

A situação é similar a alguém que quer entrar num jogo com a intenção de acabar com ele. Foi exactamente isso que aconteceu em 1933. O partido de Hitler ganhou as eleições, mas numca teve maioria parlamentar para mudar o regime. Foi um governo minoritário que pôs fim ao jogo democrático e às liberdades e direitos civicos.

O mesmo aconteceu em outros tempos e lugares com outros protagonistas que de “democrático” têm muito pouco. Lembremo-nos dos bolcheviques que eram de facto minoritários nos sovietes operários e ainda mais minoritários no panorama político global (na representação na Duma, parlamento russo). Foi o partido armado que tomou o poder, primeiro dentro do soviete de Petrogrado, contra a maioria de representantes que tinham outras filiações – mencheviques, socialistas-revolucionários e anarquistas. O que é certo é que a chamada revolução de 1917 foi um golpe dum partido minoritário dentro do próprio movimento operário.

De facto, a ideia do partido armado teve a sua grande aparição com os bolcheviques e foi copiada, depois pelos fascistas italianos e pelos, nazis alemães. A consulta popular pelo voto é desprezada como coisa “formal”, “burguesa”, tanto por comunistas como por nazis. O líder impõe-se primeiro aos seus seguidores e, depois, ao povo essencialmente através do medo, da coerção e do policiamento das ideias que foi o que aconteceu em todos esses regimes.

 

Um lobo no rebanho

Uma pacata aldeia, localizada a 30 km de Hannover está em estado de choque. Descobriram com estupefação que um dos seus vizinhos – um homem reservado, mas afável – era um assassino há muitos anos procurado pela polícia. Holger G. pertencera à célula terrorista neonazi de Zwickau que, entre 2000 e 2007, assassinara oito emigrantes turcos, um grego e uma agente da polícia, assaltara bancos e preparara ataques bombistas. Holger seguia os hábitos dos cidadãos «normais», passeava o cão e saudava os vizinhos.

Como é que um dos protagonistas de acontecimentos tão recentes pode viver numa aldeia sem levantar suspeitas?

Qualquer que seja a inocência destes pacatos aldeões, ficam de pé várias questões para os alemães resolverem. Uma delas é a responsabilidade que partidos da extrema-direita têm nestes crimes e na proteção aos criminosos procurados pela polícia.

Para nós, ovelhas e cordeiros, fica a advertência de que lobos se podem abrigar escondidos no rebanho, à espera de novas oportunidades para arreganharem os dentes.

Dar dinheiro aos pobres leva à decadência?

Em relação ao post referido no item anterior que critica o economista espanhol citado em http://correntes.blogs.sapo.pt/1216240.html, não contesto que alguns dos factos económicos citados tenham acontecido em várias épocas da longa história do Império. Escassez de cereais para alimentar uma cada vez maior população urbana terá acontecido em Roma e em várias outras cidades do império, em menor escala. A falta de interesse na sua produção por parte dos agricultores, também. A magistral lição do senhor Jesus sugere explicitamente que dar dinheiro aos pobres leva à decadência. Ora bem, sabemos que o crescimento económico euro-americano que durou do fim da segunda guerra até à actualidade, um dos maiores períodos de crescimento da historia, com realizações notáveis como o modelo social europeu e a também notável segurança social americana, com um orçamento que Milton Friedmann dizia superior ao próprio orçamento de estado da URSS, baseava-se no aumento da procura através precisamente do subsídio dos desempregados e das reformas. Estamos numa perspectiva keynesiana totalmente adversa ao que Jesus diz no video.

Contesto que esses fatos conjunturais da economia expliquem suficientemente a queda do Império. De resto, as invasões do séc. V são um facto excecional que não tem comparação com qualquer outra ameaça que o Império tenha enfrentado anteriormente. Essas movimentações étnicas foram de longo alcance e tiveram impactos em quase todo o mundo habitado da altura, incluindo o império chinês.

Dar dinheiro aos pobres leva à decadência?

Em relação ao post referido no item anterior que critica o economista espanhol citado em http://correntes.blogs.sapo.pt/1216240.html, não contesto que alguns dos factos económicos citados tenham acontecido em várias épocas da longa história do Império. Escassez de cereais para alimentar uma cada vez maior população urbana terá acontecido em Roma e em várias outras cidades do império, em menor escala. A falta de interesse na sua produção por parte dos agricultores, também. A magistral lição do senhor Jesus sugere explicitamente que dar dinheiro aos pobres leva à decadência. Ora bem, sabemos que o crescimento económico euro-americano que durou do fim da segunda guerra até à actualidade, um dos maiores períodos de crescimento da historia, com realizações notáveis como o modelo social europeu e a também notável segurança social americana, com um orçamento que Milton Friedmann dizia superior ao próprio orçamento de estado da URSS, baseava-se no aumento da procura através precisamente do subsídio dos desempregados e das reformas. Estamos numa perspectiva keynesiana totalmente adversa ao que Jesus diz no video.

Contesto que esses fatos conjunturais da economia expliquem suficientemente a queda do Império. De resto, as invasões do séc. V são um facto excecional que não tem comparação com qualquer outra ameaça que o Império tenha enfrentado anteriormente. Essas movimentações étnicas foram de longo alcance e tiveram impactos em quase todo o mundo habitado da altura, incluindo o império chinês.