Gostava de ver na televisão, aquele que, no mundo das ideias de Platão, seria a imagem da seriedade. Aparecia sempre com papéis debaixo do braço, era o homem que sabia da verdade das contas públicas e que a pedido dos governos a comunicava imparcialmente. Pois este homem, que vem pôr os pontos nos i, que aparentemente desoculta o que todos os outros escondem, a verdade orçamental, esconde de todos nós precisamente… aquilo que lhe pagamos.
O vencimento de Constâncio, segundo publicitado pelo Independente, pelo Correio da Manhã e pelo requerimento do deputado Agostinho Lopes, ascende a 272.628 euros por ano o que ultrapassa o vencimento do lendário Allan Greenspan que se limita a 146 mil euros. Podia-se dar o caso de um ter um patrão rico e outro um patrão pobre ou então do currículo do administrador do nosso banco central ultrapassar em mérito o do presidente da Reserva Federal dos EUA. Ora tudo isto joga no sentido contrário, de diminuir Constâncio e aumentar Greenspan. Enfim, talvez, Constâncio seja tão procurado que, para o retermos, não temos outro remédio senão pagar-lhe mais de 50 mil contos por ano.
O maior escândalo, contudo, é que este salário é rodeado do maior secretismo. Não sabemos de que fonte foi obtida esta informação e o Banco de Portugal recusa-se a dizer quanto paga aos seus administradores. Se a informação é verdadeira, temos que dizer: “Viv’ós comunistas! Viv’á imprensa livre!” Sei que são duas coisas contraditórias, mas que, felizmente, em democracia se conjugam muito bem!
A democracia só ganha em discutir o que esta gente ganha, se merecem esse dinheiro ou não, se não há ninguém que consiga desempenhar esse cargo por um pouco menos… nem que seja o próprio Greenspan!
Parece-nos cada vez mais que já não temos referências éticas nem à esquerda nem à direita. Se pensarmos que alguém está na política a defender ideais e princípios claros, sem nada ter a esconder, é melhor desconfiar…
Até agora eu pensava que era contraditório um dirigente público ter um vencimento secreto de cerca de 50 000 contos por ano e considerar-se socialista, sobretudo se essa pessoa está precisamente a exigir sacrifícios duríssimos aos seus concidadãos.

Vê isso por outro lado: quem teria a vida mais facilitada? O Constâncio no lugar do Greenspan ou o Greenspan no lugar do Constâncio? Ou, para dizer o mesmo de outra forma: que lugar gostarias tu de ocupar com esses mesmos salários? Por mim, não tenho grandes dúvidas que o Greenspan no Banco de Portugal entrava em coma três dias depois. Aplaudo mesmo um aumento de salário ao grande Constâncio, o paladino – até ontem – da verdade. Toda a verdade (eco)
É mais uma das escandaleiras deste país de brandos costumes. Enquanto a amioria dos pensionistas deste país não ganha o suficiente para pagar os medicamentos, necessários para ter um fim de vida com alguma dignidade, eis que aparecem estes novos senhores feudais que em torno de uma mesa redonda (PODER) vão dividindo benesses entre si.
Mas o mais escandaloso de tudo, é a despudorada nomeação de António Vitorino para representar o Governo no negócio da GALP.
É mais uma das escandaleiras deste país de brandos costumes. Enquanto a amioria dos pensionistas deste país não ganha o suficiente para pagar os medicamentos, necessários para ter um fim de vida com alguma dignidade, eis que aparecem estes novos senhores feudais que em torno de uma mesa redonda (PODER) vão dividindo benesses entre si.
Mas o mais escandaloso de tudo, é a despudorada nomeação de António Vitorino para representar o Governo no negócio da GALP.
Rui, parece-me que o cargo do Greenspan é muito mais complicado do que o do Constâncio. Comparado com o do Greenspan, o cargo do Constâncio não ultrapassaria o nível de uma filial estadual do Federal Reserve Bank. Repara que qualquer decisão do Alan Greenspan envolve o mundo inteiro. Para encontrar um cargo e uma pessoa com responsabilidades similares teríamos que nos lembrar do Duisberg, aquele alemão do Banco Central Europeu que agora já foi substituído por outro. Greenspan é lendário: nenhum presidente americano recém-eleito teria coragem para o despedir. Contudo, ganha uns míseros 30 mil contos por ano, isto é, cerca de 6 vezes o meu rendimento de simples professor. Com certeza que tem outras regalias, mas também o Constâncio as tem. Gostaria de pensar que há uma justificação válida para tão alto salário e tão grande secretismo. Mas não encontro nenhuma que branqueie o caso. Quer-me parecer que a única explicação para o caso é que o Greenspan só ganha aquilo, porque institucionalmente não pode aumentar o seu vencimento. O vencimento de Constâncio é, em última análise, decidido por velhos colegas e amigos: Ministro das Finanças, um ex-governador, o responsável pelo conselho fiscal do BP. Em suma pessoas que já passaram por lá ou que podem lá aportar. No caso presente, Miguel Beleza, Rui Vilar e Pinto Barbosa.
Rui, parece-me que o cargo do Greenspan é muito mais complicado do que o do Constâncio. Comparado com o do Greenspan, o cargo do Constâncio não ultrapassaria o nível de uma filial estadual do Federal Reserve Bank. Repara que qualquer decisão do Alan Greenspan envolve o mundo inteiro. Para encontrar um cargo e uma pessoa com responsabilidades similares teríamos que nos lembrar do Duisberg, aquele alemão do Banco Central Europeu que agora já foi substituído por outro. Greenspan é lendário: nenhum presidente americano recém-eleito teria coragem para o despedir. Contudo, ganha uns míseros 30 mil contos por ano, isto é, cerca de 6 vezes o meu rendimento de simples professor. Com certeza que tem outras regalias, mas também o Constâncio as tem. Gostaria de pensar que há uma justificação válida para tão alto salário e tão grande secretismo. Mas não encontro nenhuma que branqueie o caso. Quer-me parecer que a única explicação para o caso é que o Greenspan só ganha aquilo, porque institucionalmente não pode aumentar o seu vencimento. O vencimento de Constâncio é, em última análise, decidido por velhos colegas e amigos: Ministro das Finanças, um ex-governador, o responsável pelo conselho fiscal do BP. Em suma pessoas que já passaram por lá ou que podem lá aportar. No caso presente, Miguel Beleza, Rui Vilar e Pinto Barbosa.
Concordo com muito do que o José Albano diz. Eles são todos muito sabedores, muito importantes e decidem a melhor maneira de rendibilizar o capital de influência que têm em seu benefício pessoal. O interesse público é uma conversa da treta.
Concordo com muito do que o José Albano diz. Eles são todos muito sabedores, muito importantes e decidem a melhor maneira de rendibilizar o capital de influência que têm em seu benefício pessoal. O interesse público é uma conversa da treta.
Copiei do seu blog, que não consegui identificar
Queira desculpar, mas diga como registar a cópia
http://semrede.blogs.sapo.pt/
Luís Filipe Redes