Sempre que tento individualizar o ensino, por exemplo, tomar medidas para que alunos com maiores lacunas na aprendizagem façam um trabalho diverso do "main stream", encontro dificuldades tais que me levam a concluir que o que é certo é fazer igual para todos.
Parece que todo os espaços e tempos escolares estão feitos para levar a todos por igual e não para diferenciar estratégias, resolver dificuldades individuais, apontar caminhos a alunos mais originais e autónomos. Estou convencido que sobre isto não tenho muito que me queixar, mas sim de reflectir nas opções que devo tomar, seleccionar e preparar materiais que me permitam uma maior autonomia do aluno, etc…
Isto é, apesar das dificuldades constantes que enfrento, estou convencido de que o sucesso está em ir de encontro às necessidades de cada aluno. Quero escrever mais sobre este assunto, mas não com o tom de quem se queixa da falta de condições, porque essas são as que temos.
Como os espaços e os tempos lectivos são exíguos, limitativos e a turma é uma agrupamento imposto ao aluno que o obriga a caminhar a um certo ritmo, e leva o currículo a uma sincronização forçada, cabe-me perguntar se a gestão da escola não pode fazer nada no sentido de contrariar essa uniformização.
Um exemplo concreto: um professor de Língua Portuguesa acha que 10 ou 15 alunos já têm textos com suficiente maturidade para os passarem no computador. Uma resposta que me parece que salvaguarda a sincronização total é: o professor requisita a sala de informática e põe os alunos que ainda não têm os textos suficientemente amadurecidos a fazer outras coisas. Enfim, mantém-se a unidade turma com uma programação forçada.
Um outro cenário seria o professor enviar os alunos para a sala de informática onde poderiam digitar os seus textos. O cumprimento desta última hipótese implica a existência de salas de computadores disponíveis para todos os alunos da escola. Na sala tem de haver um professor responsável que cuide da sua manutenção e do apoio aos alunos que lá vão. Penso que um serviço destes substituía com vantagem uma disciplina de TIC de informática do ponto de vista do utilizador e permitiria uma maior autonomia na gestão dos tempos de cada aluno.
Um obstáculo que se coloca a esta solução é a falta de horários, isto é, de professores disponíveis. para cumprirem um horário de pemanência. Não sei também como são contabilizadas essas horas, se como horas do horário de 35 horas, se como horas lectivas. É que se o caso fosse o segundo, haveria mais horas livres.
Já tive tarefas deste tipo que me foram contabilizadas como tempos lectivos o que me pareceu injusto, mas aceitei por ser o critério geral. Acho que uma hora lectiva é muito mais pesada, pois implica trabalho de preparação e de correcção dos trabalhos dos alunos. Nessa altura, achava extremamente injusto que colegas meus tivessem um horário lectivo de 22 horas, enquanto eu com reduções e horas de serviços deste tipo, ficava com uma carga lectiva exageradamente mais leve.
Actualmente, há colegas com horário zero e outros com outras situações que têm muito pouco trabalho se o compararmos com a carga lectiva normal. Se um horário lectivo de 22 horas corresponde a 35 horas semanais, um de 18 corresponde a 28 e um de 14 a 22. Parece-me, pois, que alguém tem de decidir sobre como é que actividades não lectivas devem ser consideradas no horário dum professor. Por mim, não me importaria de ter 5 horas de permanência na sala de informática contadas como 3 no meu horário, desde que não implicasse qualquer outra tarefa extra e tal atribuição correspondesse a um critério estabelecido.

Acho a tua reflexão bem pertinente.
Antes da reorganização curricular, tínhamos 900 alunos mas uma carga curricular mais baixa. A sala 14 ficava livre e seria o embrião da futura sala TIC em ambiente de estudo acompanhado. Depois, aumentou a carga curricular e a única coisa que conseguimos salvar foi a excelência dos horários das turmas. Ei! Não estou a ser muito crítico da dita reorganização, já que tem muitos aspectos positivos. A sobrelotação é que dá cabo de nós. Isto a propósito de:
“Um outro cenário seria o professor enviar os alunos para a sala de informática onde poderiam digitar os seus textos. O cumprimento desta última hipótese implica a existência de salas de computadores disponíveis para todos os alunos da escola. Na sala tem de ter um professor responsável que cuide da sua manutenção e do apoio aos alunos que lá vão. Penso que um serviço destes substituía com vantagem uma disciplina de TIC de informática do ponto de vista do utilizador e permitiria uma maior autonomia na gestão dos tempos de cada aluno.”
Abraço amigo do Paulo.
Desculpar-me-ás, Luís, mas não me parece incontroverso que uma hora lectiva exija mais preparação, ou seja “mais pesada” do que uma aula de acompanhamento. Dependerá muito da abordagem escolhida pelo docente para dinamizar uma ou outra. É-me muito familiar a ideia pela qual uma aula de acompanhamento conserve as mesmas imposições e exigências didácticas, tanto ao nível da preparação, da correcção ou da leccionação, ainda que integre diferente metodologia. Não posso é estar mais de acordo contigo em matéria de incumprimento desta incumbência profissional. Temo-lo testemunhado inúmeras vezes. O que não pode é chegar-se ao ponto de, porque alguns não compreendem a substância e a densidade pedagógica que deve cometer-se a uma “hora” de acompanhamento, dar de barato que essa “hora” é injustamente comparável a uma “hora” lectiva. Lectivas são ambas. A meu ver, é inclusivamente mais importante caminhar no sentido de inflectir as tradicionais metodologias didácticas em uso nas chamadas “horas” lectivas para o sentido da metodologia das “horas” de acompanhamento, onde o trabalho real dos alunos fosse estimulado e a aula pudesse sobreviver às suas custas, resolvendo-se dificuldades verdadeiramente identificadas de cada aluno. Como sabes, a título de exemplo, a correcção de um teste não passa de um exercício de geografia: um professor leva os exercícios dos alunos para casa e identifica os seus desaires e sucessos. Localiza-os no espaço. Erraste aqui, aqui, aqui, aqui e aqui estiveste muito bem. Depois na aula, além do veredicto, lá se vai vivendo a fantasia de que efectivamente foram corrigidos os erros dos alunos. Nada é mais aparente. O que importará sempre não é saber que o aluno errou, nem onde. Importará é descobrir por que o aluno errou e incidir atenção sobre esse eventual descuido ou reflexão indocumentada, desse modo dissipando a eventualidade de repetir a ocorrência. Tenho uma perspectiva, dir-se-ia, construtivista do acto de aprender. A supressão de um erro passa por uma construção do processo de identificação e de superação do erro por iniciativa do aluno. E isto é, para mim a essência lectiva de uma aula de acompanhamento, como todas o deveriam ser. Considero que a actuação do professor é a de coordenação e o seu papel o de fomentador. Esse trabalho, não envolve, pois, apenas preparação prévia, exige capacidade de análise, diagnóstico e resolução rápida e competente de problemas imprevistos, algo em que tanto uma “hora” de acompanhamento como numa das lectivas, deveriam ser ricas. Creio que numa conjuntura de sobrelotação é muito injusto exigir melhores resultados. Outro brio profissional compensaria algumas lacunas. Mas não seria suficiente. Vê ao ponto que chega a nossa angústia: sugerir que a sala das TIC, um conceito eventualmente muito discutível e em construção, fosse libertada de aulas de informática.
Tem muita razão o Rui: uma aula de apoio pode dar tanto trabalho ou mais do que uma hora lectiva regular. O meu àparte só é válido para aqueles casos em que as pessoas desempenham apenas as horas lectivas propriamente ditas numa série de funções escolares não lectivas. Tenho ouvido comentários de colegas a criticar tal e tal professor que tem apenas 22 horas ou 18 ou 14 horas de trabalho efectivo porque cumprem essas horas na escola e vão para casa descansadas. Não poderiam fazer tal coisa se tivessem horário lectivo. Primeiro, há o enorme “stress” da aula que obriga o professor a rever, a pensar em estratégias, materiais, preparar testes, fichas de trabalho, fazer correcções, etc. Isto é uma questão que se coloca à gestão da escola: como utilizar o melhor possível os recursos humanos e como distribuir com justiça o trabalho que há a fazer na escola.
Tem muita razão o Rui: uma aula de apoio pode dar tanto trabalho ou mais do que uma hora lectiva regular. O meu àparte só é válido para aqueles casos em que as pessoas desempenham apenas as horas lectivas propriamente ditas numa série de funções escolares não lectivas. Tenho ouvido comentários de colegas a criticar tal e tal professor que tem apenas 22 horas ou 18 ou 14 horas de trabalho efectivo porque cumprem essas horas na escola e vão para casa descansadas. Não poderiam fazer tal coisa se tivessem horário lectivo. Primeiro, há o enorme “stress” da aula que obriga o professor a rever, a pensar em estratégias, materiais, preparar testes, fichas de trabalho, fazer correcções, etc. Isto é uma questão que se coloca à gestão da escola: como utilizar o melhor possível os recursos humanos e como distribuir com justiça o trabalho que há a fazer na escola.
Ressalvo: “aparte” não é uma palavra acentuada.
Ressalvo: “aparte” não é uma palavra acentuada.